Arquivos
 10/07/2016 a 16/07/2016
 12/04/2015 a 18/04/2015
 22/03/2015 a 28/03/2015
 15/03/2015 a 21/03/2015
 01/03/2015 a 07/03/2015
 22/02/2015 a 28/02/2015
 15/02/2015 a 21/02/2015
 01/02/2015 a 07/02/2015
 25/01/2015 a 31/01/2015
 18/01/2015 a 24/01/2015
 04/01/2015 a 10/01/2015
 30/11/2014 a 06/12/2014
 16/11/2014 a 22/11/2014
 02/11/2014 a 08/11/2014
 26/10/2014 a 01/11/2014
 14/09/2014 a 20/09/2014
 31/08/2014 a 06/09/2014
 20/07/2014 a 26/07/2014
 13/07/2014 a 19/07/2014
 06/07/2014 a 12/07/2014
 08/06/2014 a 14/06/2014
 04/05/2014 a 10/05/2014
 20/04/2014 a 26/04/2014
 16/03/2014 a 22/03/2014
 02/03/2014 a 08/03/2014
 23/02/2014 a 01/03/2014
 29/12/2013 a 04/01/2014
 08/09/2013 a 14/09/2013
 21/07/2013 a 27/07/2013
 07/07/2013 a 13/07/2013
 05/05/2013 a 11/05/2013
 31/03/2013 a 06/04/2013
 17/03/2013 a 23/03/2013
 16/12/2012 a 22/12/2012
 18/11/2012 a 24/11/2012
 23/09/2012 a 29/09/2012
 29/07/2012 a 04/08/2012
 15/07/2012 a 21/07/2012
 03/06/2012 a 09/06/2012
 15/04/2012 a 21/04/2012
 18/03/2012 a 24/03/2012
 04/03/2012 a 10/03/2012
 26/02/2012 a 03/03/2012
 19/02/2012 a 25/02/2012
 16/10/2011 a 22/10/2011
 04/09/2011 a 10/09/2011
 31/07/2011 a 06/08/2011
 19/06/2011 a 25/06/2011
 09/08/2009 a 15/08/2009
 05/07/2009 a 11/07/2009
 10/05/2009 a 16/05/2009
 29/06/2008 a 05/07/2008
 13/04/2008 a 19/04/2008
 23/03/2008 a 29/03/2008
 13/01/2008 a 19/01/2008
 06/01/2008 a 12/01/2008
 30/12/2007 a 05/01/2008
 23/12/2007 a 29/12/2007
 25/11/2007 a 01/12/2007
 18/11/2007 a 24/11/2007
 01/07/2007 a 07/07/2007
 29/04/2007 a 05/05/2007
 22/04/2007 a 28/04/2007
 08/04/2007 a 14/04/2007
 01/04/2007 a 07/04/2007
 04/03/2007 a 10/03/2007
 04/02/2007 a 10/02/2007
 21/01/2007 a 27/01/2007
 14/01/2007 a 20/01/2007
 31/12/2006 a 06/01/2007
 03/12/2006 a 09/12/2006

Votação
 Dê uma nota para meu blog

Outros links
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis




Rock Brado
 


O Eremita ainda não desistiu de poluir a Internet!


O grande público do Eremita, que a essa altura deve ter atingido a marca de sete pessoas, anda preocupada com a ausência de postagens. O que vem acontecendo? É que resolvi concentrar meu tempo fazendo coisas úteis! Além disso, investi em pelo menos duas coisas inúteis, para não ficar mal acostumado: iniciei um texto sobre o Gillan (vejo sete rostos assustados – calma, vai demorar para terminar) e inaugurei uma página na Internet: Os arquivos do Eremita! Segue o endereço:

www.arquivosdoeremita.com.br

 

Consultas grátis! Nem precisa doar um quilo de alimento ou qualquer quantia em dinheiro! Totalmente isento de políticos!



Escrito por cucci às 18h14
[] [envie esta mensagem
]





Letras líricas do Rock - IV

 

Ao Chico Buarque é atribuído um dos maiores feitos halterofilísticos da criação de letras de música: conseguir encaixar a palavra “paralelepípedo” no meio de um verso. Sem querer comparar os dois como compositores, o inglês Graham Bonnet tem um exemplo que pode ser considerado no mesmo nível, ou até maior, que foi o de citar uma fórmula química na letra de uma música. A obra em questão é “Hiroshima Mon Amour”, faixa do álbum “No Parole from Rock’n’Roll”, lançado em 1983 pela banda Alcatrazz, que foi formada nesse mesmo ano por Bonnet, após sua passagem pelo Rainbow e pelo Michael Schenker Group.

O título da música repete o de um filme famoso, do cineasta francês Alain Resnais, de 1959, ao qual eu não assisti e nem pretendo, pois nele estão reunidas duas coisas que eu evito compulsivamente: filmes românicos e filmes franceses. 

Voltando à música, o tema é a bomba nuclear que devastou Hiroshima na Segunda Guerra. Bonnet é bom letrista, fugindo um pouco do padrão dos seus colegas do meio do Rock. Composições enfocando a guerra existem aos montes no Rock e, provavelmente, esta não é a letra mais brilhante entre elas. Para ser incluída nesta série, há um processo longo e apurado, em que são exigidas várias aprovações pelo conselho editorial do blog, formado por uma congregação de eremitas notáveis, que, por motivos óbvios, nunca se reúnem. A inclusão da letra de “Hiroshima Mon Amour” nesta restritíssima seção deve-se à inusitada presença da fórmula molecular do explosivo trinitrotolueno, conhecido pela sigla “TNT”. Bonnet cita “C7, H5, O6, N3” na primeira estrofe, o que nada mais é do que a fórmula desse explosivo, que fez o papel de gatilho  para iniciar a reação nuclear da bomba. Uma demonstração de grande criatividade desse cantor-letrista-e-sósia-do James-Dean.

“Hiroshima” não tem só letra boa, não. A música como um todo é um Hard-Rock de primeira. Seu riff lembra levemente o de “You really got me”. Ela não é a única atração do disco. Há um conjunto de faixas de grande qualidade. Hard-Rock puro-sangue, como “Jet to jet”, “Too drunk to live, too young to die” e “Starcarr Lane”. Tem, também, uma belíssima balada, “Suffer me”, na qual Bonnet arrasa, mostrando uma espantosa extensão vocal e, ainda, um Pop muito bem feito, “Island in the sun”, que abre o álbum. Há também o guitarrista, que começava a carreira e chamava a atenção pela sua rapidez e habilidade: o Yngwie. Acho melhor dar o nome completo, para que ninguém confunda com algum outro Yngwie: é o Yngwie Malmsteen. Para mim, este álbum traz o melhor desempenho de Yngwie. É provável que nos discos seguintes seu virtuosismo tenha sido mais explorado, mas no “No Parole” ele ainda dá espaço para frases mais melódicas e entremeia sua metralhadora de notas com momentos onde toca de forma mais harmoniosa em relação ao clima da música. Seu arrepiante solo em “Suffer me” é um bom exemplo disso.

Abaixo estão a letra original e a tradução d’O Eremita. Das três outras músicas abordadas nesta série eu tinha a letra original e fiz a tradução a partir dela. No caso da “Hiroshima”, sua letra era a única do disco que era reproduzida no encarte do LP. Eu vendi o vinil e comprei a versão em CD e nunca tinha reparado que ela não vinha com a letra no encarte (pronto, os fãs do vinil já podem tirar uma onda com a minha preferência por CDs). Tive então que recorrer à Internet e vi lá no meio das opções dadas pelo Google a letra já traduzida. “Ôpa, trabalho poupado”, pensei. Entrei no site e baixei a letra com sua tradução. Quando vi que “desert” havia sido traduzido como “sobremesa”, achei melhor fazer a versão na raça, usando meus minguados conhecimentos de inglês. O resultado é esse que segue.

 

Hiroshima Mon Amour

(Bonnet/Malmsteen)

 

It was newborn and ten feet tall/But they called it “little boy”/And C7, H5, O6, N3

They called him TNT/The fireball would dim the sun/Promising death in its cruelest form

 

Hiroshima Mon Amour/As we beg to be forgiven/Do you spit in our face and curse us all

 

The fireball that shamed the sun/Burning the shadows on the ground/As the rain falls to dry the land/Leaving desert for the thirsty man

 

They all said it would end the war/And we thanked Christ for the bomb/And the priests and witches all agreed/They should die to keep them free

 

Tradução

(como se este título fosse necessário: está em português, então é a tradução!)

 

Era um recém-nascido com três metros de altura/Mas era conhecido como “menininho”/E C7, H5, O6, N3/Eles o chamavam de TNT/A bola de fogo ofuscaria o sol/Assegurando a morte na sua forma mais cruel

 

Hiroshima Mon Amour/Enquanto suplicamos para sermos perdoados/Você cospe em nosso rosto e nos amaldiçoa a todos

 

A bola de fogo que envergonhou o sol/Gravando a fogo as sombras no solo/Enquanto a chuva cai para secar a terra/Deixa para o homem sedento o deserto

 

Todos diziam que ela acabaria com a guerra/E que agradeceríamos a Deus pela bomba/E todos os padres e feiticeiras concordariam/Que para mantê-los livres o inimigo deveria morrer 

 



Escrito por cucci às 21h18
[] [envie esta mensagem
]





Olho atento na mídia – 2

 

 

 

 

Como não se incomodar com essas espertezas e manias da mídia?

 

O governo tem mania de obrigar os anunciantes de determinados produtos a inserir mensagens ao final do comercial. Aí surgem as distorções absurdas e irritantes, como aquela fala editada e em supervelocidade para que você consulte um médico se sua automedicação não deu certo. Ou então aqueles textos em letras microscópicas expostos por um décimo de segundo ao final dos comerciais de automóvel que, supostamente, deveriam trazer as condições de compra, mas que são impossíveis de serem lidas. Se alguém escrever no meio desse texto algo como “se você comprar este automóvel o fabricante poderá escravizar algum membro de sua família por tempo indeterminado”, ninguém vai saber. São coisas que estão lá só para cumprir as imposições do governo, sem que tenham nenhum efeito, exceto, é claro, irritar.

 

E as novas manias da mídia? Toda vez que é citado que um determinado caso de homicídio será considerado culposo é colocada a frase “quando não há intenção de matar”. É impressionante como 100% dos veículos de comunicação aderiram a essa forma. Já deve ter gente achando que essa é uma condição obrigatória: falou “culposo”, cole o compulsório “quando não há intenção de matar”. Por que não falar “homicídio não intencional”? Porque aí seria ir contra o jargão combinado entre todas as mídias? Ou então porque perderiam a oportunidade de irritar o ouvinte/leitor?

 

Outra mania: o “pelo menos”. Como todo mundo tem medo de errar, qualquer indicação de quantidade agora vem antecedida do “pelo menos”. Por exemplo: “o acidente resultou em, pelo menos, 157 vítimas”. Ou seja, se amanhã surgirem mais algumas vítimas, ninguém vai acusar o erro. Só que isso virou uma praga e o “pelo menos” vem atrelado a qualquer quantidade. Outro dia ouvi um repórter dizendo que a árvore que caíra tinha atingindo pelo menos dois automóveis. Como assim, “pelo menos”? Não dá para contar e ter certeza? Será que alguém vai deixar de perceber um carro embaixo de uma árvore? Qualquer dia vamos ouvir que o time entrará em campo com “pelo menos” 11 jogadores.

 

Tem mais coisas que irritam O Eremita. Vício de linguagem é uma delas. Se a pessoa trabalha em rádio, o mínimo que poderia fazer seria ter uma boa dicção e uma linguagem fluente, livre de cacoetes, como inserir a cada sete ou oito palavras o “enfim”. Coisa enervante. Um dos vícios mais comuns e mais irritantes é o “quer dizer”. Tem vários jornalistas que quando precisam falar sem um seguir um texto que está à sua frente enfiam o “quer dizer” no meio de todas as frases, quer dizer, é um negócio que dói nos ouvidos. Não tem ninguém para dar um toque nesse pessoal? Quer dizer, tem que ser O Eremita?

 

Mudando bruscamente o enfoque, vamos a outro ramo da mídia: a venda de livros, discos e DVDs pelas editoras de revistas e jornais. É um jeito inteligente de aumentar as vendas, aproveitando algumas facilidades que a estrutura do jornal dispõe, como gráfica, distribuição e, principalmente, a publicidade, que pode ser inserida nas próprias páginas da publicação. Atualmente há um abuso disso. As propagandas dos lançamentos acabam ocupando parte significativa dos jornais e revistas, o que incomoda (não chega a irritar, mas incomoda).

 

Lembro-me que, quando eu era moleque, a Editora Abril começou a venda de fascículos nas bancas de jornal, que vinham acompanhados de discos. Meu pai costumava fazer as coleções. A mais antiga entre as que restaram na minha memória era uma série sobre música clássica, com a capa toda branca e enfocando um compositor a cada fascículo. Acompanhava um disco (de vinil, obviamente) que tinha um tamanho especial, menor do que um LP, mas maior do que um compacto. Em seguida saiu uma coleção de música brasileira, de capa preta. Ouvi várias vezes alguns desses discos quando era criança, como o que continha os “Concertos Brandeburgueses”, de Bach. Mesmo os de MPB eu ouvia! Gostava muito do disco que acompanhava o fascículo do Jorge Ben, que o corretor ortográfico do Word está insistindo para que eu grafe como “Bem”. Depois vieram várias outras coleções, como uma dedicada ao Jazz.  Esta, em LPs. É mais recente do que as anteriores (saiu em 1980), reproduzida sob licença de uma editora italiana. Tenho ainda um fascículo dessa coleção, o dedicado à Ella Fitzgerald, em que ela canta “Sunshine of your love”, aquela mesma, do Cream!

 

Em 1996 a editora espanhola Altaya, lançou a coleção “Mestres dos Blues”, já em CD. Foram nada menos do que sessenta edições, no esquema CD + fascículo. O Eremita colecionou e tem os CDs até hoje, assim como os fascículos, cujos textos foram horrivelmente traduzidos, tornando a leitura mais cansativa do que a deste blog. A maioria é dos discos tem boa qualidade de repertório, mas tem umas picaretagens no meio, como são os casos dos CDs do Jimmi Hendrix e do Johnny Winter, em que foram usadas apenas faixas que não fazem parte do catálogo oficial dos artistas. São gravações de baixa qualidade e pouco representativas da carreira desses guitarristas. Existem vários CDs com essas mesmas gravações, com capas variadas, lançados por gravadoras especializadas em discos de baixo custo, daqueles que acabavam entulhando as estantes de promoções. 

 

Citei tudo isso porque o jornal Folha de São Paulo está lançando uma coleção chamada de “Soul & Blues”, com 30 discos, sendo 15 de cada estilo. Preocupou-me a parte do Blues, pois dez dos discos são de artistas que estão na coleção “Mestres dos Blues”, e, entre eles, Johnny Winter. Espero que não seja mais uma versão da antiga picaretagem. Outro item que faz parte da coleção é o de Robert Johnson. Pela sua posição histórica, defender sua inclusão nessa coleção é muito fácil. Difícil é contestar sua presença. Vou tentar, usando a lógica.  Quem é fã de Blues certamente já tem as gravações contidas no CD, uma vez que Johnson teve gravadas apenas 29 músicas, que já foram lançadas e relançadas centenas de vezes. Quem não é tão fã assim, e acabar por colecionar os fascículos (por exemplo, um fã de Michael Jackson que comprar o do “Jackson Five” da parte “Soul” da coleção e depois resolver completar. Tem gente que é assim, não consegue deixar uma coleção incompleta. Tem gente também que nunca sabe quando parar ao escrever um texto em um parêntesis), provavelmente não vai gostar do CD do Robert Johnson, porque, apesar de clássico, não é uma audição fácil. Retomando, seria melhor dedicar o volume de Johnson a outro músico, lançando algo inédito (ou pouco conhecido) por aqui, a exemplo do que será feito no último item da coleção, que trará Shemekia Copeland, filha do blueseiro Johnny Copeland (este não fez parte da “Mestres dos Blues”).

 

Portanto, como foi citado, além dessa, que aborda o Soul e o Blues, já tivemos coleções de Jazz, MPB, música clássica e até de Rock’n’Roll (pela já referida editora Altaya). Gostaria de saber por que até hoje não lançaram uma coleção sobre as grandes bandas de “Classic Rock”. Poderia ser uma coleção desse tipo, ou seja, CD + livreto, abordando as 20 bandas mais importantes (em termos de qualidade musical) do Rock. Já deixo aqui lançada a ideia (entulhemos a caixa postal da Folha com pedidos!) e também minha sugestão de lista dos 20 nomes (oh, não, eu não estou fazendo isso, uma lista! Sim, sim, farei, é mais forte do que eu...Quase tão forte quanto a mania dos parêntesis excessivos).

 

Segundo minhas definições de “Classic Rock” e “qualidade musical”, os nomes são: Deep Purple, Black Sabbath, Yes, King Crimson, Gentle Giant, Genesis, Lynyrd Skynyrd, Led Zeppelin, Uriah Heep, Free, Bad Company, Rainbow, Whitesnake, Gillan, Kansas, UFO, Premiata Forneria Marconi, Aerosmith, Pink Floyd e Jethro Tull. Se alguém estranhar a ausência de nomes consagrados como The Who, Kiss e Queen, esclareço que foi um esquecimento meramente proposital.

 

 



Escrito por cucci às 20h24
[] [envie esta mensagem
]





Um dia desses entrei em um sebo, coisa que, por sinal, adoro fazer, e recebi um folheto de propaganda que continha um artigo comparando o LP com o CD. Lembrei-me do texto de mesmo teor que eu havia inserido na “Discografia Brasileira do Deep Purple” (quer ler? Baixe grátis – veja o link aí embaixo) e resolvi publicá-lo neste recalcitrante blog, com pequenas adaptações.

http://www.4shared.com/folder/7ER-cWo1/Textos_dO_Eremita.html

 

A velha discussão: Vinil X CD

 

Aproveitando o espaço, deixo aqui minha opinião sobre mais esta questão que os Rockeiros adoram discutir - qual mídia é melhor, o vinil ou o CD? De cara, já vou registrando minha preferência: o CD.

Eu comecei ouvindo Rock quando só existia o vinil. Certas justificativas dos defensores do vinil eu vivenciei, como o fato da parte gráfica ser muito mais valorizada pelo tamanhão do LP. Eu era um dos que ficava horas observando as capas, enquanto ouvia os respectivos discos. Nesse ponto, não dá para discutir, o LP ganha de longe do CD. Mas, pera lá! O que é mais importante no Rock, ouvir a música ou ficar observando a capa? Para mim, é óbvio que é a música. Nesse ponto novamente os defensores do vinil entram com seus argumentos anti-CD, citando o som muito melhor que o bolachão tem, valorizando os graves, com melhor resposta de  transientes (que diabo será isso?) etc etc. É aí que eu discordo. No aspecto sonoro as vantagens do CD, a meu ver, são várias.

Primeiro: os chiados. Não existem no CD. Por mais bem cuidado que seja o vinil e por melhor que sejam a prensagem e a qualidade do material, é praticamente impossível eliminar ruídos intrusos provocados, em parte, pelo simples fato que o som do LP vem de uma interação mecânica - e o consequente e inevitável atrito - da agulha com os sulcos. Para a maioria absoluta das músicas, os chiados podem passar desapercebidos. Mas, tente ouvir o começo da “Endless enigma” do ELP em vinil. Assim como em um monte de outros casos, a audição em CD é uma garantia da ausência de estalados e pipocados alienígenas.

O tal atrito dá a segunda vantagem ao CD – a durabilidade. Como não existe contato mecânico entre o disco e o equipamento, o CD tem vida útil indeterminada. Mesmo você, Rockeiro que investiu uma grana em equipamentos, como toca-discos ultra precisos e agulhas de última geração e que cuida de seus discos como se fosse um daqueles restauradores de objetos de arte, sabe que o vinil é frágil e não suporta seguidas audições de fanáticos. Se até hoje eu só tivesse o primeiro “Machine Head” que comprei, por mais cuidado que eu tomasse, provavelmente seus sulcos já estariam retificados. E essa é uma característica dos amantes do Rock. Costumamos ouvir muitas e muitas vezes os mesmos discos.

Uma terceira vantagem – a praticidade. Os CDs são pequenos e, portanto, fáceis de guardar. Comportam mais música que o LP. Não precisam ser virados. Oferece o delicioso privilégio de permitir que gravemos nossas próprias seleções de músicas. É verdade que isto já foi superado por uma tecnologia mais recente, o pendrive, uma mídia ainda mais prática, mas ainda conta como vantagem.

Quanto à diferença na qualidade do som, ela é relativa. Em um mundo em que a maioria ouve música no formato MP3, utilizando fones de ouvido ou no carro, fica claro que, em matéria da qualidade do som, são poucos os perfeccionistas. Esses puristas, entretanto, garantem que percebem nuances no som favoráveis ao vinil. Eu respeito, é claro, mas, acho que esse papo caberia mais aos amantes de música clássica, na qual as filigranas importam. Para ouvir Hard Rock, sou mais o CD. Devo estar errado, pois voltaram a fabricar discos em vinil. Mas, tenho uma defesa forte: entendo que isso é mais uma conjunção de saudosismo, fetiche por parte dos consumidores e marketing esperto das gravadoras do que uma desistência dos ouvintes em relação ao formato digital.

Agora, o argumento final: o fato é que eu não percebo as tais diferenças brutais entre o som do vinil e do CD, incluindo aquelas que ocorrem com os tais transientes. Sabe como é, como boa parte dos Rockeiros, o Eremita tá ficando cada vez mais velho e, consequentemente, cada vez mais surdo, consequência da época em que eu ouvia os meus discos de vinil com o volume no talo, compartilhando meu refinado gosto musical com toda a vizinhança.



Escrito por cucci às 10h07
[] [envie esta mensagem
]





Esgotados os candidatos! Esgotadas as ideias! Esgotados os leitores!

 

O concurso de aberrações chega ao fim. Podem mandar os votos. O candidato vencedor terá direito a uma edição autografada da compilação “As Vãs Pregações d’O Eremita”. O segundo colocado ganhará duas edições autografadas da compilação “As Vãs Pregações d’O Eremita”. O terceiro colocado receberá uma carta de recomendação para ser operador do próximo esquema fraudulento no governo.

 



Escrito por cucci às 16h30
[] [envie esta mensagem
]





Livros dos quais não me livro – II

 

 

 

Alguma vez passou pela sua cabeça que se, milhões e milhões de anos atrás, um certo senhor Oorg não tivesse dado com a clava na cabeça da senhora Maarg, iniciando ali um relacionamento, digamos, amoroso, você não estaria aqui? Ou então, avançando um tantão, se uma das embarcações que trouxe um de seus antepassados de outro continente para o Brasil tivesse naufragado, coisa relativamente frequente, você (ou, eventualmente, eu!), não estaria lendo este texto?  

 

Esse tipo de pensamento é um dos presentes naquela que considero a mais arrasadora abertura entre os livros que li e colori. Refiro-me à “Breve história de quase tudo” (Companhia das Letras, 2006). O autor é Bill Bryson, para quem eu tiraria o chapéu, se usasse um. Ele escreve com grande habilidade e precisão sobre ciência e, o mais importante, o faz de uma forma não pedante. Pelo contrário, é uma leitura das mais agradáveis e interessantes. Altamente recomendável, como qualquer um poderá concluir após ler a reprodução de seus primeiros parágrafos, conforme segue.

 

Bem-vindo. E parabéns. Estou encantado com seu sucesso. Chegar aqui não foi fácil, eu sei. Na verdade, suspeito que foi um pouco mais difícil do que você imagina.

 

Para início de conversa, para você estar aqui agora, trilhões de átomos agitados tiveram de se reunir de uma maneira intricada e intrigantemente providencial a fim de criá-lo. É uma organização tão especializada e particular que nunca antes foi tentada e só existirá desta vez. Nos próximos anos (esperamos), essas partículas minúsculas se dedicarão totalmente aos bilhões de esforços jeitosos e cooperativos necessários para mantê-lo intacto e deixá-lo experimentar o estado agradabilíssimo, mas ao qual não damos o devido valor, conhecido como existência.

 

Por que os átomos se dão esse trabalho é um enigma. Ser você não é uma experiência gratificante no nível atômico. Apesar de toda a atenção dedicada, seus átomos na verdade nem ligam para você - eles nem sequer sabem que você existe. Não sabem nem que eles existem. São partículas insensíveis, afinal, e nem estão vivas. (A ideia de que se você se desintegrasse, arrancando com uma pinça um átomo de cada vez, produziria um montículo de poeira atômica fina, sem nenhum sinal de vida, mas que constituiria você, é meio sinistra.) No entanto, durante sua existência, eles responderão a um só impulso dominante: fazer com que você seja você.

 

A má notícia é que os átomos são volúveis e seu tempo de dedicação é bem passageiro. Mesmo uma vida humana longa dura apenas cerca de 650 mil horas. E quando esse marco modesto é atingido, ou algum outro ponto próximo, por motivos desconhecidos, os seus átomos vão "desligar" você, silenciosamente se separarão e passarão a ser outras coisas. Aí você já era.

 

Mesmo assim, você pode se dar por satisfeito de que isso chegue a acontecer. No universo em geral, ao que sabemos, não acontece. É um fato estranho, porque os átomos que tão liberal e amigavelmente se reúnem para formar os seres vivos na Terra são exatamente os mesmos átomos que se recusam a fazê-lo em outras partes. Por mais complexa que seja, no nível químico a vida é curiosamente trivial: carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio, um pouco de cálcio, uma pitada de enxofre, umas partículas de outros elementos bem comuns - nada que você não encontre na farmácia próxima -, e isso é tudo de que você precisa. A única coisa especial nos átomos que o constituem é constituírem você. É o milagre da vida.

 

Quer constituam ou não vida em outros cantos do universo, os átomos fazem muitas outras coisas. Na verdade, fazem todas as outras coisas. Sem eles, não haveria água, ar ou rochas, nem estrelas e planetas, nuvens gasosas de nebulosas rodopiantes ou qualquer das outras coisas que tornam o universo tão proveitosamente substancial. Os átomos são tão numerosos e necessários que nos esquecemos facilmente de que eles nem precisariam existir. Nenhuma lei exige que o universo se encha de partículas pequenas de matéria ou produza luz e gravidade e as outras propriedades físicas das quais depende nossa existência. Na verdade, nem precisaria haver um universo. Durante a maior parte do tempo, não existia. Não existiam átomos, nem um universo pelo qual flutuassem. Não existia nada - absolutamente nada, por toda parte.

 

Portanto, ainda bem que existem os átomos. Mas o fato de que você possui átomos e de que eles se agrupam de maneira tão prestativa é apenas parte do que fez com que você existisse. Para estar aqui agora, vivo no século XXI e suficientemente inteligente para saber disso, você também teve de ser o beneficiário de uma cadeia extraordinária de boa sorte biológica. A sobrevivência na Terra é um negócio surpreendentemente difícil. Das bilhões e bilhões de espécies de seres vivos que existiram desde a aurora do tempo, a maioria - 99,99% - não está mais aqui. A vida na Terra, veja bem, além de breve, é desanimadoramente frágil. Um aspecto curioso de nossa existência é provirmos de um planeta exímio em promover a vida, mas ainda mais exímio em extingui-la.

 

A espécie típica na Terra dura apenas uns 4 milhões de anos. Desse modo, se quiser permanecer aqui por bilhões de anos, você precisa ser tão volúvel quanto os átomos que o constituem. Precisa estar preparado para mudar tudo em você - forma, tamanho, cor, espécie a que pertence, tudo -, e fazê-lo vezes sem conta. Isso é mais fácil de falar que de fazer, porque o processo de mudança é aleatório. Passar do "glóbulo atômico primordial protoplásmico" (como diz a canção de Gilbert e Sullivan) para um ser humano moderno, ereto e consciente exigiu uma série de mutações, criadoras de novos traços, nos momentos certos, por um período longuíssimo. Portanto, em diferentes épocas nos últimos 3,8 bilhões de anos, você teve aversão ao oxigênio e depois passou a adorá-lo, desenvolveu membros e barbatanas dorsais ágeis, pôs ovos, fustigou o ar com uma língua bifurcada, foi luzidio, foi peludo, viveu sob a terra, viveu nas árvores, foi grande como um veado e pequeno como um camundongo, e milhões de outras coisas. Se você se desviasse o mínimo que fosse de qualquer dessas mudanças evolucionárias, poderia estar agora lambendo algas em paredes de cavernas, espreguiçando-se como uma morsa em alguma praia pedregosa ou lançando ar por um orifício no alto da cabeça antes de mergulhar vinte metros para se deliciar com uns suculentos vermes.

 

Além da sorte de ater-se, desde tempos imemoriais, a uma linha evolucionária privilegiada, você foi extremamente - ou melhor, milagrosamente - afortunado em sua ancestralidade pessoal. Considere o fato de que, por 3,8 bilhões de anos, um período maior que a idade das montanhas, rios e oceanos da Terra, cada um dos seus ancestrais por parte de pai e mãe foi suficientemente atraente para encontrar um parceiro, suficientemente saudável para se reproduzir e suficientemente abençoado pelo destino e pelas circunstâncias para viver o tempo necessário para isso. Nenhum de seus ancestrais foi esmagado, devorado, afogado, morto de fome, encalhado, aprisionado, ferido ou desviado de qualquer outra maneira da missão de fornecer uma carga minúscula de material genético ao parceiro certo, no momento certo, a fim de perpetuar a única sequência possível de combinações hereditárias capaz de resultar - enfim, espantosamente e por um breve tempo - em você.



Escrito por cucci às 16h29
[] [envie esta mensagem
]





Você é uma aberração?

 

Já temos doze candidatos. Um pior que o outro. Ou, olhando do jeito otimista, um melhor do que o outro. Se você acha que a lista até agora não tem nenhuma aberração tão grande assim, mande uma foto colorida (com a língua para dentro, por favor) porque estou precisando de candidatos. Quanto mais melhor, pois o patrocinador me paga pela quantidade e o meu estoque de esquisitões está quase acabando.



Escrito por cucci às 17h23
[] [envie esta mensagem
]





Clichês cinematográficos abomináveis e insuportáveis - 3

 

Evitar clichês é algo muito difícil. Em nossas conversas citamos o tempo todo frases feitas como “falar é fácil”, “soltei os cachorros” e “estou num beco sem saída” (sempre tive dúvida se não há uma redundância aí – existem becos com saída?). Na hora de escrever, é difícil escapar de coisas como “era uma pessoa fria e calculista” ou “é preciso encarar de frente” (como se fosse possível encarar de lado). Na publicidade, apesar da altíssima densidade de profissionais gênios, os clichês abundam, como “no aniversário das Lojas do Tratante, quem ganha o presente é você”, ou “experimente o novo creme hidratante Rebolo. Porque você merece”. O cinema, então, é uma fonte inesgotável (êpa, olhaí um clichê! Desculpem, escapou!) de clichês, que não escapam aos olhos sagazes d’O Eremita. Já fazia tempo que eu não listava novos exemplos, então, vamos lá:

(1) o personagem está fugindo e acha que despistou seu perseguidor. Vê uma porta aberta e corre para lá para se refugiar. Ele fecha a porta olhando para fora, para se certificar que não há ninguém se aproximando. Quando a porta é fechada, quem estava atrás dela? Surpresa! O perseguidor! Perseguidores são assim, rápidos e silenciosos. Também costumam adivinhar o que o perseguido vai fazer: “é óbvio que a minha vítima, mesmo correndo assustada e desorientada, vai entrar bem naquela porta, então vou dar a volta e ficar ali esperando. Ou então, vou aproveitar que sou mais rápido e silencioso e acabar com minha vítima agora mesmo. Não, não. Acho melhor ir mesmo para trás da porta”;

(2) depois de muita luta, o herói consegue matar o vilão. Aí ele vai até o outro personagem do bem que está ali do lado, o abraça e fala: “Calma, acabou tudo. Vamos para casa”. Só que os vilões nunca morrem na primeira vez. Sempre há uma reserva de energia que faz com que eles tenham um último espasmo e ainda façam alguma maldade, como disparar (com uma pontaria admirável para quem está moribundo) ou tentar esfaquear, ou qualquer outra ação que exija que o herói vá lá, tenha que se esforçar, fazer mais alguma coisa heroica e acabar de vez com o vilão;

(3) este tem em todo filme de terror/suspense. Lá vai o personagem do bem, tentando fugir do malvado. O que surge? Ah, sim, uma porta. O do bem entra, só que vai caminhando de costas, lentamente, com aquela cara de assustado, sem saber se se livrou mesmo do perigo. Até que ele esbarra em algo. Ah, sim, é alguma vítima que estava lá pendurada e dá mais um susto no personagem do bem;

(4) um pequeno grupo está fugindo. Pode ser de um lugar que vai explodir, ou de uma turba enfurecida, mas com certa vantagem territorial. Aí alguém cai. Ou porque não aguenta mais ou porque se machuca seriamente. De forma magnânima ele grita para o resto do pessoal: “Continuem! Salvem-se! Deixem-me aqui”. É lógico que o herói não vai fazer isso e dará um jeito de carregar o ferido. Existe uma variação desse clichê: às vezes, o ferido é deixado para trás. Ele não morre, é claro, senão ia ficar mal para o herói. Depois que os demais do grupo se salvaram, ele reaparece no final, em bom estado e todo feliz, dando uma explicação pouco convincente, do tipo “na hora H fui içado por uma ave gigante, que me largou aqui pertinho” ou então “descobri que sou imune à lava”.

 

 



Escrito por cucci às 17h21
[] [envie esta mensagem
]





Delírios, devaneios e deambulações d’O Eremita – tudo revelado, sem precisar de delações!

 

Em mais uma audaciosa empreitada, O Eremita reuniu as postagens deste gomalinado blog entre 2007 e 2014. Está tudo em um único arquivo, passível de download. Para obtê-lo não é preciso dar propinas ou subornar ninguém – é grátis, a partir do site abaixo:

http://www.4shared.com/folder/7ER-cWo1/Textos_dO_Eremita.html



Escrito por cucci às 16h10
[] [envie esta mensagem
]





Fadas usam botas

 

Desta vez este autocrático blog abre espaço para um de seus leitores mais assíduos (o outro leitor assíduo sou eu), o Alexandre Gibin, que me enviou este ótimo texto (valeu, Gibin!) de sua autoria, com alguns enxertos importados do UOL e que celebra o aniversário de um disco que foi lançado há 45 anos.

Pela coincidência de datas citada no texto, o ideal é que eu tivesse feito a postagem na sexta feira da semana passada, o que, obviamente, não aconteceu. Entretanto, como diria o lendário editor americano J. J. Jameson: “bons artigos são como joias, precisam ser mostrados e apreciados. Devem ser publicados de qualquer maneira. Só há uma coisa que justifique engavetar um bom artigo: se ele estiver falando mal de mim”.

Sexta-feira 13 é um grande dia. Há quem diga que é o melhor dia do ano, e tendo a concordar. E sexta-feira 13 de fevereiro acontece só de 45 em 45 anos, pelas minhas contas, então o dia é mais do que especial. Foi o dia em que, em 1970, foi lançado o álbum mais importante da história da música pesada, gravada por quatro jecas de Birmingham que não tinham a menor ideia do tamanho da obra que perpetraram, segundo o escritor inglês Mick Wall.

“Black Sabbath'' é um marco na história do rock, quase tão importante quanto o primeiros singles de Bill Haley e Elvis Presley e “Please Please Me'', a estreia dos Beatles em álbum, em 1963. Discute-se se “Helter Skelter'', dos Beatles, contida no “Álbum Branco'', de 1968, seria o pontapé inicial do heavy metal, ou qualquer música do Blue Cheer, banda de garagem, digamos assim, dos anos 60. As opiniões são muitas, mas não perca muito tempo com elas: crave a estreia do quarteto Black Sabbath como marco inicial – ou principal, como queira.

Nada tão pesado, funesto, sujo, assustador e insano havia sido produzido na música. Alice Cooper, Arthur Brown e Sir Lord Baltimore perdiam de longe. Em termos de insanidade, Frank Zappa ganhou um concorrente de peso (literalmente). Os portões do inferno foram abertos e a fúria, a ira e violência, em vários níveis, ficaram impregnadas no rock desde então.

A banda entrou no estúdio em Londres, em janeiro de 1970, para gravar com o dinheiro contado. Tudo muito simples, direto, reto e sem a menor sofisticação. Foram sete músicas em apenas um dia – “Evil Woman'' tinha sido registrada um mês antes e seria o primeiro single.

“Entramos no estúdio e fizemos tudo num dia só: tocamos nosso repertório daquele tempo e pronto. Achamos até que um dia era tempo demais [para gravar um disco], então viajamos no dia seguinte para tocar na Suíça por um cachê de 20 libras'', diz o guitarrista Tony Iommi no livro de Mick Wall e em sua autobiografia.

Iommi lembra que gravaram ao vivo no estúdio, com poucos ajustes: “Pensamos assim: 'Temos dois dias para fazer tudo, e um dia é só para a mixagem.' Então tocamos ao vivo. Ozzy cantava ao mesmo tempo; nós o pusemos num canto separado e fomos em frente. Nunca fizemos uma segunda versão da maior parte do material.''

Em outro bom livro sobre a banda, de Martin Popoff, o baixista Geezer Butler ironizou a rapidez e a simplicidade da gravação e cutucou, ainda de leve, a produção de Rodger Bain, indicado pela gravadora. “Tínhamos 21 anos, mal havíamos tocado fora das Midlands (região de Birmingham, na Inglaterra, terra natal dos quatro membros). Totalmente inexperientes, ficamos extasiados com a chance de gravar um disco, mas pouco sabíamos o que estávamos fazendo, o que, aliás, parece que foi a tônica de todos os que trabalharam no álbum.''

Décadas depois, seus autores dizem conseguir certo distanciamento para fazer críticas pontuais. Iommi não gostou da mixagem, achou que, na época, os instrumentos soavam baixos e abafados. Butler reclama um pouco da produção fria e sem vida em algumas músicas, especialmente em “Behind the Wall of Sleep''. Ozzy Osbourne, no necessário “Eu Sou Ozzy'', menciona certa estridência em sua voz em algumas passagens de “Fairy Wear Boots'' e “N.I.B.''

Quarenta e cinco anos, tudo isso se torna irrelevante, ainda que saia da boca de seus autores. “Black Sabbath'', o álbum, é perfeito até demais, principalmente em suas imperfeições – ou supostas imperfeições. “Black Sabbath'', a música, possibilitou um mundo de possibilidades, ajudando a empurrar a era do “paz e amor'' para o limbo. Soturna, sombria, assustadora, trazia o Mal para o primeiro plano, sem que necessariamente os quatro tivessem entusiasmo com o Mal.

“Filmes de terror, violência ou temas supostamente ocultos e diabólicos nunca passaram de apenas temas para canções. Só isso. Pareceu legal e oportuno escrever sobre isso na época'', relativiza Butler a respeito das letras das músicas. ''Odiávamos os hippies com todas as forças. 'Paz e amor' porra nenhuma, o mundo inteiro fodido, com guerras, fome, corrupção, pobreza extrema mesmo na Europa e na América, violência, e esses malditos chatos torrando a paciência falando do sol, dos rios e das florzinhas. Adoramos ter chutado tudo isso'', proclama Ozzy sem sutilezas.

Ainda que os dois covers soem deslocados, dependendo do ponto do vista, de forma alguma interferem na qualidade e importância do álbum. “Evil Woman'', da banda obscura Crow, e “Warning'' (Aynsley Dunbar Retaliation) são temas fortes, mas que destoam um pouco do clima.

“The Wizard'' estabelece um novo padrão de guitarras e saturadas, assim como “N.I.B.'' se torna a grande referência temática e melódica do quarteto em seus primeiros tempos. Mesmo a pouco citada “Sleeping Village'' está impregnada de todos os elementos que estabeleceram o Sabbath como gigante do rock e mestre do heavy metal. Portanto, celebremos a sexta-feira 13, todas as sextas-feiras 13. E louvemos ainda mais toda sexta-feira 13 de fevereiro, pois ela sempre será um marco histórico dentro da cultura ocidental.

 



Escrito por cucci às 18h54
[] [envie esta mensagem
]





E o concurso d’O Eremita continua, cada vez mais aberrante!

 

Os candidatos não param de surgir. Esta série já virou um viral. Estou pensando em vender o conceito (ou o projeto? Qual é a palavra mais chique?) para a TV, para que montem um reality show. Gente que compra pacotes do BBB compra qualquer coisa. Empreendedor, é o que eu sou.



Escrito por cucci às 18h48
[] [envie esta mensagem
]





Mais concorrentes para o concurso mais comentado na  caverna d’O Eremita!

 

Sim, senhores e senhoras, isto é uma série. Vai ser como o usual em casos como este - conforme as tiras forem sendo publicadas, o assunto vai se esgotando, até que a última tenha qualidade sofrível. Isso fará com que a ficha caia e o Eremita deixe de insistir com essa história. O problema é que pode ser que demore um pouco, pois, se houvesse algum rigor com a qualidade por aqui, esta série nem teria chegado nesta segunda parte. O Eremita, sábio que é, sempre se guia pelos ensinamentos do filósofo francês Yves Melincot, que, entre seus vários conselhos iluminados e diferenciados, dizia: “há valor até em repetir um erro: você vira um especialista, coisa que o mercado valoriza”.



Escrito por cucci às 20h38
[] [envie esta mensagem
]





O Eremita, esse quadrinista de terceira mão, tenta de novo!

 

Normalmente as postagens d’O Eremita tem um texto introdutório, mas acho que desta vez é desnecessário, pois este novo constrangimento é autoexplicativo e, portanto, não precisaria disto que acabei de fazer, ou seja, um texto introdutório.



Escrito por cucci às 22h37
[] [envie esta mensagem
]





Parabéns?

Poluída, pichada, barulhenta, lotada, violenta, grande além da conta. Fila para tudo. No trânsito, no restaurante, no banco, no cinema. Terra de ninguém, refúgio dos anônimos. Hoje é seu aniversário. Falo, é claro, de São Paulo. Sou paulistano, me sinto à vontade para dizer essas coisas. É difícil defender São Paulo. Qual é sua identidade, seu símbolo? Elegeram uma avenida. Uma calçada, na verdade, porque seus prédios são cercados, isolados da população e nem são lá muito bonitos. É só uma avenida. No passado recente, era o centro financeiro da cidade. Talvez seja esse o motivo da escolha. É onde estava o dinheiro. Dinheiro que aparece no título do cartaz da banca, ao lado da qual uma pessoa fuma crack. Em plena Avenida Paulista, em pleno meio do dia. São Paulo é só isso, a cidade onde está o dinheiro?



Escrito por cucci às 15h50
[] [envie esta mensagem
]





Perguntas sem resposta - 3

 

Falta vocação ao Eremita. Para um monte de coisas. Entre elas, ser quadrinista. Falta também vergonha na cara em insistir em publicar essas aproximações patéticas de tiras de quadrinhos que tem bonecos de madeira no lugar de desenhos por falta de habilidade em desenhar. Um bom roteiro poderia compensar a falta de talento. Isso também falta ao Eremita. Tanto o bom roteiro quanto o talento. Afinal, por que então postar mais uma tira? A resposta veio da fala de Brandon, o personagem de um filme de Ingmar Bergman: “porque sim”. Uma resposta perfeitamente cabível, dado que Brandon era uma criança de três anos. Outro motivo que me impele a continuar a publicação dessas coisas é que mesmo os grandes cartunistas têm lá seus períodos de baixa. Estou seguindo o percurso deles, só que acumulando todo o período de baixa no início da carreira. Vejamos, por exemplo, alguns dos cartunistas que compõem o time do jornal Folha de São Paulo. O Angeli quando está sem ideias coloca uma tira só com esboços, ou seja, nada de roteiro. O Laerte (ou a Laerte? Ficou confuso essa história de ele ter mudado de gênero depois de velho) já faz tempo que publica tiras que não tem graça nenhuma, com enredos surreais. Pode ser que os intelectuais gostem, mas eu preferia quando era divertido ler as tiras dele (ou dela?). Por fim, o Caco Galhardo, de quem não sou fã, de vez em quando publica um desenho de uma mulher seminua ocupando toda a tira, com o título de “Colírio”. Resumindo, depois de consagrado, dá para continuar ganhando dinheiro sem manter o brilhantismo o tempo todo. A fama é como um pisca-pisca. Sabendo quem você é, as pessoas não ligam para os intervalos apagados, desde que haja os momentos brilhantes. Uau! Acho que esta última deveria ir para a postagem anterior, das “Frases d’O Eremita”! Acho que acabo de subir consideravelmente minhas chances de emplacar uma citação na Revista Caras.



Escrito por cucci às 17h38
[] [envie esta mensagem
]



 
  [ Ver arquivos anteriores ]