Malícia no país das maravilhas Em uma das suas últimas ladainhas, o Eremita citava o fato de que após o surgimento do DVD, não param de aparecer no mercado shows e documentários contendo coisas antigas, das últimas décadas do século anterior. Por que não foram lançados antes, em VHS? Por que esperamos tanto tempo para ter acesso a coisas sensacionais que sempre estiveram disponíveis em arquivos das gravadoras/produtoras/emissoras mundo afora? Por que o Brasil é considerado um estado laico, mas é feriado no dia da santa padroeira? Por que tantos políticos são desonestos? São perguntas que nem mesmo um pensador e meditador como o Eremita consegue responder, por mais que pense e medite. Bom, mas chega de lamúrias, pensatas e meditações – vamos à celebração! A simpática gravadora “Biplane” (aguardem para breve um breve texto dedicado a ela) lançou recentemente um DVD histórico – “Paice, Ashton & Lord” (PAL), ao vivo! Na sequência do excelente DVD do Purple (ver publicação anterior), temos mais outro motivo para comemorar. Um lançamento soberbo, caprichadíssimo. O pacote traz um show completo e um documentário sobre a banda, chamado “Lifespan”. Esse documentário mostra, entre outras coisas, um trecho da audição dos músicos candidatos a integrar a banda. Um dos que fazem o teste é Clem Clempson, que foi muito bem, por sinal. O estúdio alemão Musicland também é mostrado. Foi nele que o PAL gravou seu disco de estréia. Esse estúdio fica no subsolo de um hotel, chamado “Arabella”. Era o nome de um hotel! O Eremita pensava que a música homônima do disco era uma homenagem à uma mulher...Que anta! O pior é que certa vez, ao produzir o programa radiofônico “Into the Purple” para uma rádio, digamos, “alternativa”, a anta aqui incluiu a faixa “Arabella” na lista de músicas de um especial dedicado às mulheres (era o Dia Internacional da Mulher...), sendo que todas as faixas tinham nome de mulheres (era o que achava eu – pelo menos não caí na besteira de tocar “Mary Long”. Ou será que toquei?). Que fora foi esse, não? Ainda mais se considerarmos que o programa foi ouvido por umas trinta milhões de pessoas. Mas, vamos voltar ao disco. Além de trazer o show e o documentário, a edição brasileira é especial, pois tem duas exclusividades: um belo encarte de 8 páginas, com fotos da banda ao vivo e uma embalagem especial, em acrílico (as que normalmente acompanham os DVDs são de plástico), que o Eremita não havia visto ainda no nosso pungente (não fui eu!) mercado – ficou uma beleza! Um duplo parabéns à “Biplane” – pela embalagem e pelo conteúdo. A principal atração é a apresentação da banda para a BBC, em 1977. Aconteceu em estúdio, mas gravado ao vivo – na verdade, foi o primeiro show da banda. De tão recente, Tony Ashton ainda não tinha decorado todas as letras – dá para perceber suas olhadelas nas “colas”, vez por outra. O repertório do show é composto pelo primeiro e único disco da banda, o “Malice in wonderland”, que é tocado quase integralmente. Apenas a faixa “Dance with me Baby” não é apresentada. Completaram o repertório “The ballad of Mr. Giver”, extraída do LP “First of the big bands”, gravado por Lord e Ashton e “Steamroller”, um blues de James Taylor, cantada por Bernie Marsden, o guitarrista do PAL. Apesar das presenças de Lord e Paice, Ashton é quem domina o show, cantado, tocando, improvisando e sendo espontâneo. A proposta do PAL não era fazer um som derivado do Purple, mas uma mistura de Soul, Blues e música de cabaré, tudo com um tempero próprio, que deu personalidade a essa grande banda (nos dois sentidos, pois eram dez pessoas no total). Este DVD mostra que o PAL foi realmente grande (mais um para minha lista de “trocadilhos-chulos-evitáveis”). Pena que durou pouco. Ainda bem esse registro sobreviveu. É excelente, maravilhoso e indispensável! Não fique aí parado! Vá correndo atrás de PAL para você! (êpa, escapou...).
Escrito por cucci às 19h57
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Uns dias atrás o Eremita ranhetou quanto à constante exploração pela indústria cultural sobre os fãs do Deep Purple. Os lançamentos de produtos nem sempre justificáveis não param e os fãs completistas só vão preenchendo os cheques. Para surpresa do Eremita, seu protesto não causou nenhum temor no mercado e as coisas continuam se repetindo. Porém, temos dois lançamentos em DVD que merecem comemorações. Um vai ser comemorado aqui. O outro fica para a próxima. Foi lançado no Brasil um DVD duplo pela ST2 intitulado “Deep Purple – History, Hits & Highlights, ’68 – ‘76”. O conteúdo desse DVD é de deixar qualquer fã doido. Os motivos serão detalhados após a crítica à capa. Pois bem, a capa é horrível. Parece que confiaram tanto no conteúdo que nem se preocuparam em caprichar na capa. Além de feia e é em preto e branco, o que tem a vantagem de facilitar a pirataria. Por outro lado, ou melhor, por dentro, o DVD tem um monte de atrativos. Começa com a história (“History”) do Deep Purple, contada a partir de uma montagem das imagens de alguns dos clips apresentados ao longo dos dois DVDs, entremeados com trechos de entrevistas. Outro dos poucos defeitos do DVD, além da capa (por sinal, horrível), é que não tem legendas em português. As entrevistas são legendadas, só que em inglês. Não dá para passar batido por essa primeira parte, porque tem uma cena preciosa – uma rápida filmagem do “Made in Japan”! Pena que são apenas alguns minutos. O que sempre se disse é que nenhum dos três shows no Japão foi filmado e, portanto, supõe-se que essas imagens sejam de algum “flash” de reportagem ou de um cinegrafista munido de uma filmadora Super-8. Muitos não sabem o que é isso, mas, até surgir o videocassete, o único jeito de gravar imagens de modo amador era com uma câmera Super-8, que usava filmes que duravam uns cinco minutos, no máximo. Eram filmes fotográficos, que tinham que ser revelados em laboratório e essa revelação era cara. Não era um troço muito acessível aqui no Brasil e durou pouco tempo. Uma coisa que me intriga é que o surgimento do videocassete permitiu o acesso a um monte de shows que estavam em arquivos e foram sendo lançados gradativamente, como, no caso do Purple, o “California Jam” e o “Last Concert in Japan” (o vídeo se chamou “Rises over Japan”), por exemplo. Antes disso, só era possível ver tais coisas quando passava na televisão, o que era raríssimo e sem direito a replay! Com a chegada do DVD, outras coisas estão sendo desarquivadas, como o material em questão. Filosoficamente, o Eremita se pergunta: “que outras preciosidades ainda estão guardadas, esperando surgir a próxima mídia para chegarem aos nossos olhos e ouvidos?”. Voltando ao DVD do Purple. Após a história, começa a parte dos “Hits”. Logo de cara, o primeiro já é inédito: uma apresentação da Mark I, em branco e preto, tocando “Help” na laje de um prédio. Não há amplificadores aparentes, o que indica que se trata de uma dublagem. Mas, a versão é um pouco diferente da presente no primeiro disco da banda. Curioso, não? Depois vem o clip da “Hush”, com a banda se apresentando na Playboy TV. Esse já é mais conhecido, pois apareceu no DVD “Heavy Metal Pioneers”. O terceiro clip é uma versão ao vivo de “Wring that neck”, ainda da fase Evans/Simper. O DVD continua com uma sequencia que apareceu no “Master from the vaults” (ótimo DVD do Purple, que vive em ofertas por preços irrisórios em tudo que é loja e sites), com “Hallelujah” e “Madrake Root”, mas com a vantagem desta última estar completa. A próxima é outra inédita – um clip de “Speed King”, dublado (play-back), com um cenário meio maluco, misturando revolução francesa e pedaços de carro. Segue outro clip, também inédito, isto é, pelo menos para o Eremita, da banda dublando – aliás, sem demonstrar nenhum entusiasmo - “Black night”. O esquema é o mesmo que é repetido em vários casos – cenário meio psicodélico e uns figurantes dançando – às vezes, no ritmo da música. Prossegue com “Child in time”, também presente no “Masters”. “Lazy” é a próxima, extraída do show da Dinamarca, que foi lançado integralmente em DVD (também no Brasil), batizado como “Live in concert 1972/73”. Após vem “Strange kind of woman”, em um clip certamente inédito, porque eu nunca me esqueceria de ter visto algo tão, humm, rudimentar, antes. A banda só aparece em fotos. A maior parte do tempo o clip é preenchido com imagens toscas de uma motoqueira indo prá lá e pra cá. O próximo capítulo traz imagens em preto e branco e de má qualidade durante as gravações do álbum “Fireball”. É interessante, pois mostra a banda à época e o local onde eles se isolaram para compor. Não há som ambiente – a trilha sonora é um teco do “Concerto”. Aí vem mais um inédito – clip de “Fireball”, quase um repeteco de “Black night” – banda dublando sem muita empolgação, pessoas se mexendo em uns movimentos que podem ser interpretados como uma espécie de dança etc etc. Outra também inédita vem a seguir e é papa-finíssima: “Demon´s eye”, em versão ao vivo, em algum programa de TV. Excelente! Ao final temos aquele famoso duelo Gillan/Blackmore. Outro detalhe curioso é a cena onde um técnico tenta corrigir um zumbido em um dos amplificadores. Outra do “Fireball”, outro repeteco do “Masters” - “No no no”. Daí vem mais uma preciosidade – “Into the fire”, ao vivo, da mesma apresentação em que foi gravada “Demon´s eye”. Excelente! Excelente! Para contrabalancear vem o clip manjado de “Never before”, com montagens de cenas ao vivo variadas sobre a versão de estúdio. Este vídeo faz parte do DVD-documentário do “Machine head”. Outra manjada vem na sequencia – “Highway star”, ainda com a letra original, que cita o Steve McQueen (também está no “Masters”). Só há (até hoje, pelo menos) uma versão em vídeo de “Smoke on the water” com a Mark II, fase anos 70. Essa versão é a incluída neste DVD. Pena que é cortada e não tem o solo do Blackmore. Essa gravação também aparece no já citado “Live in concert 1972/73”, como parte do bônus. Depois, outro petardo: “Burn”, ao vivo, em versão inédita! Maravilha! O som está meio ruim, mas vale cada segundo. “Mistreated” vem depois, extraída do “California Jam”. Esse estonteante DVD 1 termina com duas do vídeo “Rises over Japan”: “Love child” e “You Keep on moving”. O DVD 2 é o dedicado aos “Highlights” e tem outras maravilhas. Começa com “And the adress”, do Shades, da mesma sessão para a Playboy TV mostrada em “Hush”. As imagens são muito curiosas. O apresentador é o próprio Hugh Hefner. Como a faixa é instrumental, o Evans fica só ali na frente, dançando (se é que pode chamar assim aqueles movimentos), com sua espantosa calça amarelo-ovo-brilhante. O segundo vídeo é outra versão de “Wring that neck”, já com a MK II, gravada ao vivo, preto e branco, em 1969. A performance de Blackmore nessa gravação é um absurdo! A filmagem traz algo raro – mostra quase todo o solo de um ângulo frontal, permitindo acompanhar a quase-incrível técnica do Blackmore e também a de Paice, quase-inacreditável, lá nos longínquos anos 60. Maravilha! Excelente! Como isso pôde ficar tanto tempo inédito?!? E ainda tem mais maravilhas excelentes. A terceira é...Wring that neck! De novo! Essa foi gravada em Paris, em 1970, assim como a seguinte, “Mandrake root”, com a banda debulhando tudo, com longos improvisos. Outra que aparece de novo é “Black Night”. Dessa vez é o clip, com a banda dublando a faixa original em estúdio. As duas próximas? “No no no”. Isso mesmo, duas vezes. São os ensaios da versão apresentada no DVD 1! Demais! O que vem a seguir não é um clip, mas sim uma reportagem da TV francesa sobre a MK III. Aparece um trecho de “Smoke on the water” ao vivo, inédito. Nesse ponto uma pisadinha de bola – a seguinte é a mesma versão de “Burn” do DVD 1. Poderia ter sido excluída a do primeiro disco, já que esta faz parte de uma matéria sobre a banda, com entrevistas e o trecho final de “Space Truckin’”, do mesmo show (Leeds), inédito! O DVD termina com uma matéria da TV da Nova Zelândia sobre a turnê que o Purple deu por lá em 1975. Bolin é entrevistado! Tem imagens do show, mas com o som de “Smoke on the water” extraído do “Made in Japan”! A última é uma curta entrevista com Tony Edwards, um dos empresários do Purple, falando sobre o “California Jam”. Resultado final – todo o conteúdo foi contado aqui, mas não é o mesmo que contar o final do filme. A maior parte das coisas inéditas é quase tão espantosa quanto as calças amarelas do Rod Evans e, para o fã, nenhuma descrição vai substituir o prazer de assistir as apresentações contidas nesse DVD. É indispensável, maravilhoso e excelente.
Escrito por cucci às 23h18
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O Eremita continua gastando bits na Internet! Além deste blog, o Eremita ainda difunde (ôpa!) bagulhos roqueiros em outros dois sites: um é o “Arquivos do Eremita”, onde podem ser baixadas muitas letras de bons discos de Rock, com um tratamento gráfico refinadíssimo, cuja concepção artística é do próprio Eremita (ai, ai). O outro é um site de compartilhamento, onde foram colocadas reportagens da década de 70 sobre o Purple, que podem ser baixadas gratuitamente. Neste último, batizado de “Arquivos do Eremita – Caixa 2”, pode também ser baixada a Discografia Brasileira do Deep Purple. Uma obra de intensa pesquisa e arqueologia, com a qual você aí – é você mesmo! – pode colaborar, sem receber nada em troca, é claro.
Arranquem-me meus últimos centavos!  Tem uma velha piada na qual uma amiga fala para a outra: “sabia que meu marido depois que casou comigo se tornou milionário?”. “Puxa, e o que ele fazia antes?” “Ele era bilionário...”. Com os fãs do Purple é mais ou menos assim. Vários que eu conheço empobreceram tentando comprar todos os discos, que não param de sair. Poucas bandas devem vender tão bem como o Purple. Só isso justifica a quantidade ininterrupta de lançamentos a cada ano. Provavelmente é a única banda do mundo que tem mais discos ao vivo do que de estúdio. E estes não são poucos (18, se não errei na conta). O segundo ao vivo, “Made in Japan”, de 1973, mostrou ao mundo que o Purple era uma banda extraordinária no palco. Pois bem, só de “Made in Japan” em CD existem 3 versões! O Purple chega ao cúmulo de ter os seus discos piratas mais famosos lançados oficialmente, com a reprodução da “capa original”, se é que se pode chamar assim. Quem é que tem renda para comprar tudo? Mas, vamos faturar mais ainda - todos os álbuns da grande fase da banda, ou seja , do “In Rock” até o “Burn”, foram objeto de relançamentos comemorativos dos 25o , 30o etc aniversários. O primeiro deles, o do “In Rock”, tinha um monte de atrativos, com várias faixas extras e algumas coisas inéditas. O nível de novidades foi caindo até que a edição de 30o aniversário do lançamento do “Burn” não trouxe nenhuma faixa inédita, só remixes. Há pouco tempo foi a vez do álbum que sucedeu o Burn – foi lançada (inclusive no Brasil!) a edição do 35o aniversário de surgimento do Stormbringer. O pacote é composto por um CD, um DVD e um livreto. Este último segue o padrão dos demais relançamentos, ou seja, é excelente. Longo texto, com muita informação e ótimas ilustrações. O DVD é apenas áudio (!), trazendo a versão quadrifônica do LP, que havia saído somente nos EUA. É esquisita essa história de ter um DVD só para o áudio, ainda mais nesse caso, onde as diferenças entre a gravação apresentada e a original, em estéreo, são mínimas. Para não dizer que não há imagem nenhuma, durante a exibição de cada faixa a tela fica fixa em uma das fotos do encarte. No CD tem outras novidades, que não são muitas. A gravação original foi remasterizada, deixando o som sensivelmente melhor, com mais nitidez. Além das 9 faixas do disco normal, foram colocadas mais 5, sendo que 4 trazem versões remixadas por Glenn Hughes. Das extras, duas merecem destaque. “Hold on” tem os vocais diferentes da versão original. A diferença é pequena, apenas detalhes na entonação, mas não deixa de ser curioso. A última faixa do CD é um pouco mais interessante. Uma versão instrumental de “High Ball Shooter”, que traz um solo do Blackmore no lugar do original, feito pelo Lord. Tudo isso, ou seja, mais do mesmo, por R$ 50,00. Não vamos perder tempo vendo sentido nesse tipo de coisa – fã é assim, compra tudo. Ele existe para alimentar a indústria das lembranças. O que será que vai sair na edição de 35 anos do “Come taste the band”? Ôpa, peraí, não foi deste disco que lançaram um CD duplo com a gravação dos...ensaios?
Escrito por cucci às 22h29
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Você teria coragem de chamar sua banda de “Capitão Além”?
Bem, o Eremita já mostrou em um texto anterior que, depois que uma banda chamada “Os portas” deu certo, qualquer nome vale, desde que o som seja bom, é claro. Esse é o caso do “Captain Beyond”, grande banda (pelo menos se consideramos o primeiro disco), capitaneada (ôps!) pelo ex-Purple Rod Evans. Toda a história do Captain pode ser conhecida na nova edição do poeriaZine (http://www.poeirazine.com.br/), que está excelente, como sempre, apesar do texto muito mal escrito por este desmanzelado escriba, que aparece lá no meio. Muito sabiamente, o editor da pZ, Bento Araújo, deixou de fora o texto que segue, que o Eremita aproveitou este espaço para publicar. Afinal, nada como ter um blog, onde tudo pode. Caso alguém queira as letras do primeiro do Captain Beyond, faça o favor de visitar a página dos “Arquivos do eremita”, para baixá-las de graça (essa e muitas outras! Confira!).
Cidade do México, mais um show desastroso
Um dia antes do show em Detroit, O Deep Fraude foi a atração principal de um festival de Rock na Cidade do México, que aconteceu no dia 28 de junho de 1.980. A primeira banda a subir ao palco do estádio “Ciudad de los Deportes” foi a mexicana “Dugs dugs”. Em seguida foi a vez do “Black Oak Arkansas”, que já vivera melhores dias. Em 1974, o Black Oak foi uma das participantes do famoso “California Jam”, que teve a presença do verdadeiro Purple, em tarde/noite das mais inspiradas. Voltemos ao México. A banda seguinte, fechando o festival era o Deep Fraude. Começou a chover. Rod Evans e seus asseclas resolveram esperar a chuva parar, o que se mostrou uma má idéia. Por mais tequila que tenha rolado, ficar de pé tomando chuva, nada para fazer, sem trilha sonora para poder pular e se aquecer, os mexicanos não estavam exatamente receptivos. A chuva parou e a caricatural tentativa da banda em tocar os clássicos do Purple começou. Após apenas quarenta minutos, o show foi providencialmente encerrado, pois sutis sinais de descontentamento foram notados na platéia, tais como vaias, arremesso de objetos ao palco e a destruição das traves do estádio...
Escrito por cucci às 19h28
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Clichês cinematográficos abomináveis e insuportáveis - 1
O Eremita gosta de ver um filme de vez em quando. Ele não suporta mais certas cenas que parecem ser obrigatórias em certos filmes – são os tais clichês. Um exemplo entre centenas de clichês: comédia com cena de correria onde aparecem dois caras carregando um vidrão. Alguém já viu um vidrão ser entregue a pé, por dois caras, no meio da multidão? Um dia alguém achou que isso daria uma cena engraçada e colocou em um filme. Tudo bem. Só que foi copiado e copiado e copiado, apesar de não ter lá muita graça. Porém, esse é um clichê digamos, ameno. Os que despertam sentimentos furiosos no Eremita estão descritos a seguir. O Eremita não é só reclamação. Ele institui uma solução para a questão. É importante ter uma reação. Também é importante, para o bem do estilo, não rimar frases consecutivas.
- Mocinho/mocinha se mistura com o desfile para despistar os vilões: pelo que a gente vê nos filmes, os americanos dedicam uns dois meses por ano para desfilar, seja com bandas (que negócio horrível), seja naquelas festas chinesas com os dragões de papel com uns chineses embaixo. É só o filme ter uma perseguição a pé que rola uma despistada, aproveitando o desfile. Chega dessa história. O Eremita acaba de declarar esse caso como um C.E.F. – Clichê de Extinção Forçada. Portanto, não poderá ser usado daqui para frente;
- Carro que não pega na hora H: cena presente em 90% dos filmes de ação e de terror. Alguém tenta escapar do vilão e consegue chegar até o carro. Na hora de dar a partida, o carro, em nome da emoção, dá umas rateadas para deixar que o vilão chegue bem pertinho para só então pegar. Curiosamente, quase sempre o mocinho(a) sai de ré e vai derrubando umas coisas pelo caminho. É C.E.F., inapelável;
- arma que escapa e fica fora do alcance: tem luta do mocinho (em geral um policial durão) contra o bandido? Se o mocinho tiver uma arma, ela inevitavelmente vai escapar da sua mão para ir para debaixo de alguma coisa, em um lugar meio inacessível. Aí acontece o efeito do braço de borracha. Na primeira tentativa, o mocinho não alcança a arma. Mas aí ele fica tentando, tentando e justo quando o cara mau pula em cima do cara bom, seu braço estica um pouquinho e ele alcança a arma! Legal, né? Não! Virou C.E.F.! Inventem outro clichê! Esses roteiristas de Hollywood ganham bem (e em dólar) para isso...
- policial sempre com café: esse é um dos clichês mais odiado pelo Eremita. Aconteceu um crime. Em qualquer lugar. Pode ser no meio do deserto ou na beira de um vulcão. Alguém acaba trazendo um café para o detetive principal. Que raiva! Na verdade, em geral, o crime é mesmo na cidade e à noite. Por maior que tenha sido o impacto do fato (do facto?) e tenha um monte de gente acompanhando o caso, quando o detetive principal chega, ele consegue estacionar seu carro bem do lado da cena do crime. Estou me tocando que este clichê pode ser aproveitado para incluir dois outros subclichês. É o caso das cenas noturnas. Para melhorar a iluminação, o chão é sempre molhado. Reparando bem, é possível notar que nenhum carro tem respingos de chuva, mas é tranqüilo – é de noite? Chão molhado! Bem, estávamos na cena em que o detetive chega com seu carro e passa pela multidão, que está organizadamente atrás da sempre presente fita amarela, movendo seus pescoços para lá e para cá (figurantes, humpf!). Aí ele encontra o outro detetive, seu rival (outro subclichê). Ou porque ele é do FBI e outro não é, ou então um é de homicídios e o outro de narcóticos, seja lá o que for, o principal sempre chega depois do rival. Eles trocam umas farpinhas e o rival vai embora. Aí o detetive faz umas duas ou três perguntas e...pronto, chega o café. Que haverá de estar fumegante, é claro. Os americanos devem ter uma cafeteira nas viaturas, para garantir o café sempre muito quente a qualquer hora. Aí vem o gole no café. Todo mundo sabe que o café americano é uma coisa aguada, horrível. Mas, os policiais dos filmes sempre dão aquele gole fazendo biquinho, seguido de uma mímica bucal-degustativa, como se aquilo fosse uma coisa maravilhosa. Não é possível mais agüentar esse tipo de coisa. Banido. C.E.F.!
- filme com sonho: outro treco proibido de hoje em diante! Filme com sonho não dá mais! Já esgotou! Normalmente acontece em filmes policiais ou de suspense (êpa! O Eremita acaba de descobrir que esses são os preferidos dele! Só tem clichê desses tipos de filme!). Um pouco antes do final, acontece uma cena pesada envolvendo o mocinho. Quando parece que tudo está perdido – e aí você se entusiasma – o cara acorda. Ah, era só um sonho...Chega! Não pode usar mais. Está no C.E.F.;
- perseguição que termina em rua em obras, sem saída: o Eremita não quer estragar surpresas, mas se alguém assistir um filme de ação - o que é garantia que terá uma cena de perseguição de carros – e ele for anterior ao advento do C.E.F., é certeza que tudo acabará em uma obra na via. Um carro persegue o outro por uns minutos e tem uma hora que o perseguido entra em uma parte da avenida que estava em obras, quebra uns tapumes (às vezes aparecem os operários correndo para os lados) e lá vai o cara mau para o mar ou precipício. É uma mania. Apesar de milhares de quilômetros de vias, as perseguições americanas são inescrupulosamente atraídas para os locais em obra. Não vai acontecer mais - é C.E.F.;
- televisão em bar que dá a notícia bem na hora que o cara entra e ele ouve tudo: a última desta série. Tem uma hora em que o fugitivo do filme vai para o bar. Ei, isto me lembrou outro subclichê – em filmes, ninguém espera troco. O cara larga umas notas na mesa, no balcão ou entrega para o taxista e vai embora! Não espera troco. Ainda por cima, todo mundo sabe o preço de tudo! Dos drinks, do táxi, da refeição no restaurante. Já deixa o dinheiro certinho. Ou sobrando, porque a gente nunca vê ninguém reclamando “ei, falta grana aqui, meu!”. Êita primeiro mundo bão! Voltando ao clichê principal: logo após o refugiado entrar no bar aparece o noticiário falando dele ou de alguém que interessa muito a ele. É um sincronismo maravilhoso! Outra coisa maravilhosa é que todas as vezes dá para ouvir o que o locutor do noticiário fala, não importa quão barulhento seja o bar! Aqui no Brasil quando se entra em num bar que tem televisão ela está sem volume e está passando a novela! Fugitivo aqui no Brasil tem que se refugiar em outro lugar. Se for para o bar, não vai saber o que está acontecendo! Mesmo porque com a classificação como C.E.F. decretada a partir de agora, não haverá mais cenas desse tipo.
Escrito por cucci às 22h58
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Discos muito bons mas que eu acho que passaram meio batidos – 1

Essa nova série do blog do Eremita é para registrar aqueles discos muito bons da história do Rock mas que passaram meio batidos. Todo mundo tem vários em suas discotecas, não é verdade? Resolvi começar com dois caras que são de uma das bandas mais famosas da história: Pink Floyd. Até o vizinho de caverna do Eremita conhece o Floyd. De vez em quando ele dá um tempo nas trilhas sonoras de novela e coloca “Another brick on the wall”. A sorte do Eremita é que cavernas não são como conjuntos habitacionais e a dele fica várias montanhas além. Mesmo assim, em dias quietos dá para ouvir ao longe sua voz miserável cantando aquela versão brazuca engraçadinha “atirei o pau no gato...”. Embora os caras do Floyd tenham cometido essa progressive-disco, é inegável que a maioria da sua herança musical é da melhor qualidade. Isso se estende a dois dos discos-solo. Em 1978, Richard Wright e David Gilmour lançaram duas obras maravilhosas (querem as letras? No site “Arquivos do Eremita” tem! É grátis!). Vamos começar pela que maravilha mais os ouvidos do Eremita: “Wet Dream”, do Rick Wright. Sua banda de apoio é Mel Collins (sax de aluguel, mas mais conhecido pelos trabalhos com o King Crimson); Snowy White (guitarrista idem, que passou rápido pelo Thin Lizzy); Reg Isadore (baterista da banda de Robin Trower – tocou no “Bridge of Sighs”) e Larry Steele (baixista, curriculum desconhecido pelo Eremita). O maravilhoso disco intercala faixas instrumentais com cantadas. Estas últimas, sempre na voz contida, suave e ligeiramente melancólica de Rick. É um disco para relaxar. As melodias são belíssimas. Existe um certo padrão nas composições (o que, neste caso está longe de indicar monotonia): o início é com o piano, seguem as estrofes e os solos, em geral de sax e de guitarra, com o teclado fazendo o fundo, o clima. Nenhuma faixa longa, mas todas com o pedigree floydiano. Da mesma forma que o primeiro solo do David Gilmour (sem título). Apenas Gilmour na guitarra e vocal, mais Rick Willis no baixo (Foreigner?) e Willie Wilson na bateria (esse o Eremita não conhece). Seria algo como um “power-trio progressivo”, mas o disco tem boa produção. Rola um teclado aqui e ali (parte tocada pelo próprio Gilmour), tem vocalistas de apoio, guitarras-base em overdub e outros recursos que temperam bem o som. Daria para repetir várias frases do comentário anterior: é maravilhoso, tem o DNA floydiano, algumas faixas instrumentais, a vocalização suave, os belos solos de guitarra... Sabe aqueles da fase “Wish you were here” e “Animals”? O disco do Gilmour tem aos montes. Tem um fato histórico incrível em comum entre os dois discos: ambos saíram em vinil do Brasil, lá, no longínquo final dos anos setenta! O Eremita trocou as suas versões em LPs nacionais por CDs importados (se os CDs saíram no Brasil o Eremita, velho ignorante, não sabe). Da mesma forma que no caso do Wet Dream, o primeiro solo do David Gilmour tem uma outra coisa muito importante em um disco: as músicas são boas! Maravilhosas! Parece óbvio, não? Nem tanto. Os exemplos podem vir desses dois mesmo: ambos têm outros discos-solo muito mais fracos, que o Eremita também tem: “About face”, do Gilmour e “Broken China”, do Wright. Nenhum desses entrará nesta série. Recomendado pelo Eremita para aqueles que gostam de boa música, ou do Pink Floyd, ou do David Gilmour, ou do Richard Wright, ou de Rock Progressivo ou de bruschetta.
Escrito por cucci às 23h19
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Discos estranhos da coleção do Eremita – 4
Quebrando uma longa tradição desta seção, desta vez temos um disco em que não há a participação do Phil Collins. Este é relativamente recente. Foi lançado em 1997, mas o Eremita só soube de sua existência no ano passado, quando comprou um exemplar em uma banca de saldão de CDs (custou menos de cinco cervejas!). É um Tributo aos Beatles, gravado pelo Rick Wakeman. Como o Eremita é fã dos dois, a primeira idéia que veio à sua cabeça quando pegou o disco foi: “Uau!”. A segunda foi: “os deuses do Rock resolveram dirigir um pouco da sua luz para a cabeça do Eremita. Beatles e Wakeman juntos em um CD, que ainda por cima está em oferta!”. A próxima parte da história foi a audição do potencialmente melhor disco dos últimos tempos. Resultado: humm...
O que aconteceu? Por que não vários deslumbrados “uaus” e sim um decepcionado “humm...”. Tem um termo que está meio fora de moda, mas que serve para descrever parte do disco: “musak”. Musak, em uma canhestra descrição eremística, é aquele tipo de música instrumental, só de covers de canções famosas, às vezes orquestrada, às vezes só nos teclados, que a gente houve em consultórios e elevadores. O Eremita é traumatizado pelo musak, porque foi a trilha sonora de longas e sofridas esperas na ante-sala do seu dentista (quer dizer, do dentista do Eremita e não do seu dentista, leitor. É, esse mau jeito com as palavras explica as notas baixas do Eremita em Língua Portuguesa por anos a fio. A fio? Que será que é isso, a fio?). Voltemos ao disco. Infelizmente, o tributo do Rick Wakeman foi, na maior parte das faixas, uma versão instrumental das faixas originais, sem grande inspiração, incluindo os solos. Nenhuma ousadia. Nenhuma magia. Porém, cabe a ressalva - nem todas beiram o musak. Tem coisa pior. Algumas são mais para o dançante, tipo “Hooked on classics” (lembram dessa droga?)! Vamos lá, Eremita, pense em quem está envolvido no disco. Wakeman, Beatles. Não se salva nada? Pouca coisa. “Help”, “While my guitar gently weeps” e “Blackbird” são as mais interessantes, com arranjos mais lentos e orquestrais...e, por que não dizer, caprichados. De qualquer forma, não é exatamente um disco de Rock Progressivo. É um disco estranho, no mau sentido.

A capa merece um parágrafo à parte. Não poderia ser mais cafona. Se alguém tascasse nela um título do tipo “Os maiores sucessos da Churrascaria Orgulho Gaúcho, interpretados por Francisnaldo Eduxandre e seu teclado” ninguém estranharia. Fortíssima concorrente à capa mais ridícula de todos os tempos. Esse disco saiu no Brasil, em 1998, pela Movieplay (MV-138), que teve o bom senso de mudar a capa. Acertou, pois a nacional ficou melhor, o que não também não dá para sair comemorando, porque qualquer coisa ganharia da original. Em contrapartida, a Movieplay omitiu qualquer outra informação, trazendo somente os títulos das faixas. Para os detalhistas, vai aí a banda de apoio: Fraser Thorneycroft-Smith (guitarra); Phil Laughlin (baixo) e Stuart Sawney (programação da bateria eletrônica). Recomendado apenas para aqueles que gostam de freqüentar salas de espera, elevadores e dentistas.
Escrito por cucci às 22h56
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Discos estranhos da coleção do Eremita – 3

As cenas que seguem aconteceram com o Eremita no século passado, em algumas datas quaisquer entre o final dos anos 70 e a metade dos anos 80. Folheando uma revista esportiva, ele notou aquele sujeito meio careca na foto do time do Palmeiras, de pé, ao lado do Toninho Vanusa. Dias depois, lá estava a mesma figura, sentado na primeira fileira da platéia na cerimônia da entrega do prêmio Nobel de Economia. O Eremita ainda lembra de tê-lo notado pouco tempo depois em uma foto dos garimpeiros de Serra Pelada. No final daquele ano o mesmo cara estava presente em um documentário sobre os hábitos migratórios das andorinhas australianas e ao lado do líder de uma manifestação dos verdureiros argentinos em frente à Casa Rosada, empunhando ameaçadoramente um pé de brócolis. Mas, afinal, estamos falando de quem? Ora, do Phil Collins, o cara mais está-em-todas de todos os tempos, ganhando com folga do Zelig e do Forrest Gump.
Essa introdução só teria sentido se o Phil Collins participasse do disco objeto deste texto, o que, inevitavelmente, aconteceu. Então, vamos ao “Peter and the wolf”, um disco muito estranho, lançado em 1976. O Eremita tem a versão nacional (em vinil - Phonogram/RSO 2394 162) do tal disco, o que é motivo para comentar os dois primeiros fatos estranhos: como ele foi lançado por aqui, enquanto outras tantas obras importantes daquele ano não foram? E, de que forma os deuses da música interferiram para que o disco fosse produzido com a parte gráfica semelhante à da versão original? O segundo dos fatos é, sem dúvida, o mais estranho. Há não sei quantos dias as mutilações e sacanagens variadas com as capas dos discos nacionais foram motivo de comentários do Eremita neste blog. Mas, este, estranhamente, teve uma edição caprichada, que incluiu um encarte colorido (uma espécie de libreto), ilustrado com passagens da história infantil Pedro e o Lobo, em papel de ótima qualidade, com 12 páginas. O disco foi gravado com cinco versões, sendo que o que difere uma das outras é a narração, que foi feita em inglês (a lançada no Brasil), francês, alemão, italiano e espanhol. O libreto trouxe o texto da narração nas cinco línguas. Na edição nacional o texto em alemão foi substituído pelo português, um cuidado raramente visto por estas bandas.
Se fosse pelo time, este seria um dos melhores discos de todos os tempos. Além do Phil, participam, entre outros: Gary Moore, Manfred Mann, Cozy Powell, Gary Brooker, Andy Pile, Keith Tippet, Stephane Grappelli, Alvin Lee, Eno, John Hiseman, Bill Bruford e os caras do Brand X. O disco foi (levemente) baseado na obra homônima do Prokofiev. As músicas foram compostas pela dupla Jack Lancaster e Robin Lumley. Se a memória do Eremita não estiver falhando, (o que é muito comum, portanto não dá para confiar na próxima informação) Jack Lancaster deve ser o mesmo cara que saiu das primeiras formações do Tull para montar o Bloodwyn Pig. As músicas são, em geral, curtas (21 faixas), entremeadas pela narração, o que resulta em um disco estranho (vou usar de novo a piada – “se não fosse estranho, o que estaria fazendo aqui? Leia o título!”). Não serve como disco infantil, pois tem muito mais música do que narração. Como disco de Rock, é um pouco...fragmentado. Tem algumas belas passagens aqui e ali, mas nenhuma delas é extraordinária. Pode ter algum interesse para os fãs do Progressive Rock. Chama atenção o custo que deve ter sido o projeto, considerando a reunião de tanta gente famosa, horas de estúdio, parte gráfica etc. Porém, o resultado não é brilhante. É um disco legal, mas não é imperdível. O Eremita sentiria muito mais a falta no seu baú de discos como os dois primeiros do Flash, o Chocolate Kings ou o Spyglass Guest, para encurtar os exemplos.
Escrito por cucci às 22h33
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Discos estranhos da coleção do Eremita – 2

Não seria muito estranho um disco que reunisse Andrew Lloyd Webber (o compositor de “Evita” e “Fantasma da Ópera”), a banda Colosseum II (Gary Moore, Don Airey, John Hiseman), Phil Collins (esse esteve em todas), Paganini (isso mesmo, o compositor e virtuoso violinista italiano) e o Ademir da Guia? Pois, com a exceção do último, todos estão presentes no “Variations”, um dos discos estranhos da coleção do Eremita.
O baterista John Hiseman foi um dos fundadores da banda Colosseum, no final dos anos 60. O som era instrumental, cheio de improvisos, mais para o Jazz que para o Rock. Nos anos 70 a banda foi reformada, virando o Colosseum II. Além do Hiseman, o time era John Mole (baixo), Don Airey (hoje no Purple, teclados) e Gary Moore (guitarra e um ou outro vocal). Lançaram 3 discos (o primeiro, “Strange New Flesh” (*), com Mike Starss no vocal, saiu no Brasil, duas vezes! Em 1977 e em 1987). Nesse primeiro disco, o baixista era o Neil Murray, que depois tocou no Whitesnake e em mais umas 218 bandas. O som continuava Jazz-Rock, mas mais para o Rock que para o Jazz.
Andrew Lloyd Webber é um compositor inglês que se deu muito bem escrevendo musicais para a Broadway, como os citados no início, mais “Cats” e um monte de outros. Apesar disso, ele tem um passado de glórias. Sua primeira obra de destaque foi lançada em 1969 - “Jesus Christ Superstar”, que é uma das poucas coisas que o Eremita classifica como obra-prima. Boa história, ótimas músicas, letras excelentes (de Tim Rice). Em 1978, Andrew resolveu gravar o “Variations”. As tais “variações” são sobre “La Caprice em La Mineur”, de Niccoló Paganini, obra extensamente estudada e interpretada no meio da música clássica.
Para gravar o “Variations”, Andrew convidou uma série de músicos, como o Phil Collins e o Rod Argent, mas a espinha dorsal foi formada pela banda “Colosseum II”. O disco é belíssimo, embora estranho. Tem passagens acústicas, solos de guitarra, de sax, arranjos de cordas, sintetizadores, tudo misturado e tudo lindo. Não existe, de fato, uma fusão entre o clássico e o Rock. As coisas são compartimentadas, mas funcionam bem, harmoniosamente, mesmo com alguns cortes abruptos. Não é um disco normal, se não, não estaria aqui, estaria na seção “discos normais do Eremita”.
(*) quer as letras deste disco? Grátis? Visite o site “Arquivos do Eremita”. O link está por aí, em algum lugar deste blog.
Escrito por cucci às 09h53
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Críticas inóquas – 1

Uma tática manjada para se destacar na mídia é criar um tipo polêmico. Esse não é o caso do Eremita. Ele está se lixando para a mídia. O que ele gosta é de expressar o que sente. Portanto, mesmo correndo o risco de cometer um pecado perante São João (Lennon) e São Jorge (Harrison), ele assume: “não acho o Sgt. Pepper’s o melhor disco de todos os tempos! Nem mesmo o melhor dos Beatles!”. Como o Sgt. Pepper’s fez 40 anos de lançamento em 2.007, um monte de gente foi buscar aqueles velhos axiomas (humm...): “o primeiro álbum conceitual da história”; “o primeiro com as letras” etc etc. O Eremita, fanzaço dos Beatles (ele viveu o finzinho da Beatlemania), gosta da capa, que é bem produzida e também gosta de algumas faixas como, é óbvio, “A day in a life” e “With a little help from my friends“, esta, aliás, ficou muito melhor na versão do Joe Cocker, é inegável. Mas, o Eremita acha outros discos bem melhores que o Sgt. Pepper’s, como é o caso da trilha do “Hard day’s night” ou o “Revolver”. Como todos os outros discos dos Beatles, “Sgt. Peppers” é excelente. Mas, tem um pouco de orquestra demais! Alguns arranjos são muito pomposos! E, para falar a verdade, que conceito que tem no disco? Será porque as faixas são ligadas umas às outras? Mas, cada uma não conta uma história independente? O que tem a ver, por exemplo, “Lucy in the sky with diamonds” com “Lovely Rita”? Até hoje o burro do eremita não sacou que catso de conceito tem nesse disco. Mas, isso não interessa. É o melhor disco de todos os tempos e pronto. Saiu na Folha e em um monte de outras mídias importantes. Não é o Eremita que vai mudar isso. A história do Rock e da música Pop está cheia desses casos. Em algum momento algumas pessoas decidiram acreditar em uma história e trataram de espalhar aquilo como verdade. Dali para frente aquilo passou a ser imutável, repetido cem por cento das vezes em que o assunto é citado. É como falar do Eric Clapton sem dizer que foi pichado nas ruas de Londres a frase “Eric is God”. Mas (notem, já é o quarto “mas”, o que revela pobreza de estilo), é a hora para fazer uma revelação! Quem pintou tal frase foi um amigo do Eremita, o Zé, que era ruim de inglês. Ele morava fazia apenas poucas semanas na Inglaterra e não suportava a comida dos londrinos. Sua salvação era uma pizzaria que ele descobriu ali na Baker St. O Zé quis homenagear seu amigo recente, o Eric, que era o pizzaiolo, e pensou em escrever “Eric is good pizzaiolo” (ele ainda não sabia que deveria colocar o artigo indefinido “a”, logo após o “is”) em um muro perto da pizzaria, como uma modesta homenagem. Só que o texto saiu errado, “god”, em vez de “good”. Também não deu para completar a frase, porque a polícia o pegou no flagra e o deportou. Pena que o Zé não pôde contar ao mundo o caso da tal frase famosa. Até agora, só o Eremita sabia disso, porque o Zé ligou para ele do aeroporto e contou tudo. Logo depois, ele foi atropelado pelo Brian Jones e morreu. Mas, essa é outra história, que o Eremita conta qualquer dia.
Escrito por cucci às 22h53
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Nova pérola da coleção do Eremita – 1

Não se deve duvidar da tecnologia. Este blog é uma das provas disso. O Eremita escreve as bobagens que quiser de seu computador (coisa que, por sinal, ele não tem idéia de como funciona. Um poço, desses que fornece água, ele entende e até sabe construir ou consertar um. Mas, um computador? Que máquina fantástica! Só que ele podia ter me avisado que este parêntesis está muito longo...) e depois de alguns cliques – pronto! Está na Internet, para quem quiser ver! Mas, e a máquina do tempo? Isso ainda é um sonho distante do homem. Ou melhor, é um sonho do homem que está distante. Quer dizer, é um distante sonho do homem. Bom, não vai ser inventado tão cedo. Exceto para os que compraram o disco “Blood on the highway”, do Ken Hensley. Foi lançado em 2007, mas sua audição transporta o ouvinte para os anos 70. Você viaja para a época do Hammond onipresente, das músicas pesadas, mas melodiosas, daquelas muito agradáveis aos ouvidos rockeiros. Seria como se estivéssemos em 1972 e este fosse o novo disco do Uriah Heep. A magia da época está revivida em um pequeno circulo de plástico e alumínio (putz! E o CD? Como é que pode, bits se transformarem em música! Bom, deixa p’ra lá, antes que role outro parêntesis gigante). O Eremita tem o disco “Free spirit” e conhece o “Eager to please”, ambos trabalhos solo anteriores do vovô Hensley (62 anos, mas ainda cabeludão!), que não chegam nem aos joelhos deste novo. “Blood on the highway” é a autobiografia musicada do Ken Hensley. As faixas seguem cronologicamente contando sua aventura na música, desde o sonho de se tornar um astro, passando pelo sucesso, pelas drogas e pela morte dos amigos. O disco foi gravado na Espanha, com uma banda de apoio de lá. Os vocais são de Jorn Lande, um norueguês que canta de forma MUITO parecida com o Coverdale, coisa que não indica nenhum demérito. Aliás, a parte vocal é um dos doze pontos fortes do disco. Tem uma faixa com o John Lawton e duas com o Glenn Hughes. Parabéns ao senhor Hensley, ainda na ativa e mostrando que é um baita músico. Na prateleira do Eremita este CD está guardado entre o “Desolation Angels”, do Bad Company e o “There’s the rub” do Wishbone Ash.
Escrito por cucci às 22h42
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Discos estranhos da coleção do Eremita – 1

Ah! Os anos setenta! Como era dura a vida por aqui! Dura em vários sentidos. Havia a ditadura militar. Eu andava sempre duro. A vida de um brazilian rockourus como eu (e você?) era dura. Não havia Internet. Não havia Galeria do Rock. Discos importados? Só no Museu do Disco. Custavam muito muito muito caro. As gravadoras brasileiras não lançavam quase nada. Quando lançavam, ninguém ficava sabendo, porque não tinha divulgação. Não tinha Internet (de novo?). As publicações brasileiras sobre Rock eram poucas e nunca duravam muito. A vida era dura naqueles tempos para um brazilian rockanderthal. Naquela época a expressão “garimpar nas lojas” fazia sentido. O “Esperanto – Last Tango”, por exemplo. Lembro que eu o encontrei em uma lojinha (era mesmo pequena – devia ter uns 10 metros quadrados!) na Pça. João Mendes. Estava na parte de “Cantoras Internacionais”, misturado com os da Carole King e da Rita Pavone. Isso porque na capa tinha uma bailarina. Bom, o disco foi comprado e ouvido. Muito ouvido. O Esperanto é uma banda estranha. Tem um trio de cordas, não tem guitarra, tem uma dupla de vocalistas, sendo que ambos tem voz de mulher, embora um seja homem. Parte da banda é francesa, parte belga, parte inglesa. Esse é o terceiro e último disco da banda, que no começo se chamava “Esperanto Rock Orchestra” e tinha doze músicos. O primeiro, auto-intitulado, também saiu no Brasil. No “Last Tango” (1975) a banda foi reduzida para oito elementos. São seis faixas e a primeira é um incrível cover de “Eleanor Rigby”. Tem uma faixa chamada “The rape” (A curra!). Mas a melhor é “Still Life”, uma mistura sofisticada de música clássica com um baixo pesadão. O disco todo tem uma levada dramática, que deixa o som único, inconfundível e saboroso. Os vocais contribuem muito para a dramaticidade do som. O som? Uma espécie de Progressivo. Esse rótulo aceita quase todo tipo de som, mas não dá para associar o Esperanto ao Yes ou ao Genesis. O “Last Tango” é um disco pesado (principalmente por conta do baixo, que predomina, absoluto), mas tem umas pitadas de pop aqui e ali. Alguém poderia ligar a batida Rock das faixas e as intervenções de violino com certas músicas do começo da era “disco”. Eu odeio a era “disco”, mas essa comparação não é de todo infundada e não desqualifica o disco. Se ele está na discoteca do Eremita lado a lado com os Manfred Mann e os Renaissance, é porque é bom. Muito bom. Mas que é meio estranho, isso é.
Escrito por cucci às 22h01
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Vilipendiando as capas - 2

Logo após escrever o texto anterior, o Eremita se lembrou de mais alguns “causos”. O Deep Purple foi uma vítima constante dos abusos comentados anteriormente. Los Hermanos, por exemplo, traduziram “You fool no one”, do LP “Burn”, como “Tonto com ninguno”. Talvez fosse melhor uma tradução do tipo “Você não engana ninguém”, mas, quem sou eu para discutir com os bi-campeões mundiais? Agora, uma tupiniquim. A música “Strange kind of woman” foi lançada como compacto (o, antigamente, vulgo “single”) na Inglaterra e fez grande sucesso. Ela antecedeu o LP “Fireball”, mas não foi incluída nele. Aqui no Brasil resolveram colocá-la no LP, no lugar da faixa “Demon’s eye”. Só esqueceram de um detalhe: corrigir o título na capa! Coitado do Eremita! Passou um bom tempo achando que o nome da “Strange kind of woman” era “Demon´s eye”! Também, que tolo, foi acreditar no que constava na capa... Outra patacoada em termos de capa foi com o Gentle Giant, desta vez engendrada pelos americanos. O primeiro LP, auto-intitulado, tinha uma capa muito bonita, trazendo um desenho do gigante que depois se tornou a marca da banda. O terceiro disco chamou-se “Three Friends”. Saiu no Brasil, por sinal. A capa deste trazia um desenho dos três amigos, mas que não era tão bonito quanto aquele do gigante. Os americanos resolveram o seguinte: “não vamos lançar o primeiro disco do Giant por aqui. A gente pega só a capa e usa ela (americanos detestam mesóclises e coisas do gênero) para lançar o Three Friends”. Moral da história: existem dois discos com a mesma capa – a edição inglesa do primeiro do Gentle Giant e a versão americana do Three Friends! Que beleza! Ou melhor, “what a beauty!”. Mais “causos” serão contados, conforme o Eremita for lembrando.
Escrito por cucci às 20h37
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Vilipendeando as capas

Recentemente o Eremita leu uma matéria sobre a banda UFO no ótimo poeiraZine e soube que na época do lançamento do disco “Force it” (1975), a gravadora brasileira achou a capa ofensiva (todo mundo tinha medo da censura do regime militar) porque mostrava um casal – aliás, não dá para saber se era um homem e uma mulher, ou dois homens ou duas mulheres – se agarrando no banheiro. Para não ter problemas, a gravadora teve uma idéia que deixaria o César Lates morrendo de inveja: usou a capa de um outro disco do UFO, o “No heavy petting’”, que tinha a foto de um simpático macaquinho – aliás, não dá para saber se é macaquinho ou macaquinha. Essa história relembrou ao Eremita uma série de outros casos brilhantes em que a criatividade do brasileiro, da qual os publicitários tanto se orgulham, foi deixada de lado e atos lesa-arte foram perpretados. Com isso, o Eremita pode eliminar “perpetrado” da sua lista de palavras difíceis que ele prometeu usar até o fim do ano. Voltando às capas. Um dos casos mais antigos foi com o “Focus 3”. Esse disco foi lançado mundo afora como álbum duplo. Aqui no Brasil, saiu simples. Simplesmente deixaram um dos discos de fora. Bom, não? Outro caso, ainda pior. O álbum ao vivo do Rainbow, “On Stage”, também era duplo, originalmente. Por aqui, na terra do respeito às coisas, a gravadora resolveu que um disco só era o suficiente. Mas, caprichou um pouco mais. Ao invés da supressão de um dos discos, foi feita uma mixagem, cortando partes de algumas faixas, montando um único LP. Foi uma espécie de disco-trailler. A gloriosa gravadora Phonogram foi a autora desta aberração. Mais um episódio: o primeiro disco ao vivo do Yes, “Yessongs”. Este foi lançado triplo, o que fez o “clube dos amigos do Rock” da gravadora festejar. Uau! É triplo! Imagine o que não vai dar para a gente aprontar! Houve um grande esforço e eles conseguiram se superar. Um álbum triplo pressupõe uma capa com três lugares para se colocar os discos, certo? Foi feito então o seguinte: ao invés de reproduzir a bela capa de Roger Dean, foi feita uma capa simples, com a frente igual à da original e o verso com a reprodução em preto e branco de uma das ilustrações. É incrível, mas aconteceu: os três discos tinham as capas simples (tipo envelope) e iguais! O cidadão brasileiro comprava o “Yessongs”, pagava o equivalente a três discos, abria o celofane e recebia os três LPs, em capas separadas! Ainda por cima as três eram iguais! Maravilhoso, não? Deve ter sido algum recorde de sacanagem com a capa de um disco. No mundo!
Esses são apenas casos que o Eremita lembrou assim, de bate pronto. Existem muitos mais. Sem contar outras mutilações tradicionais dos discos brasileiros, como contracapas em preto e branco e a ausência quase que generalizada dos encartes com as letras (quando muito, saía só na primeira tiragem do disco e depois sumia).
Bem, a verdade é que não era só no Brasil que aconteciam essas coisas. Nossos hermanos também aprontaram muitas. Eles eram especializados em traduções cômicas. Lembro de três casos. “Rat Bat Blue”, do Deep Purple, tem um título onamatopaico. Tenta reproduzir uma virada da bateria. Eles traduziram como “Morcego triste”. Outra: “Lay down your sorrows”, do Johnny Winter, virou “Mostre-me tu piernas”. “Only the strong survive”, do Billy Paul foi, digamos, traduzida como “Somiente la dura sobrevivencia”. E por aí vai...
Escrito por cucci às 21h30
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Críticas desconsideráveis – 1

Funky Junction
O “Funky Junction” gravou em 1971 um único álbum, intitulado “play a tribute do Deep Purple”. É composto por nove faixas, sendo cinco do Purple: “Fireball”, “Black Night”, “Strange Kind of Woman”, “Hush” e “Speed King”. Completam o disco quatro faixas, todas atribuídas ao produtor do disco, Leo Muller, embora a música “Rising sun” seja uma versão instrumental do velho hit dos Animals, “House of the rising sun”. Antecipando uma mania do final do século passado (isso soa sempre estranho...), esse é mais um daqueles tributos onde os músicos prestam a tal “homenagem” procurando repetir nota por nota a gravação original da banda “tributada” (isso soou mais estranho ainda...), sem acrescentar nada, sem inovar nos arranjos e sem desenvolver algo em cima do tema original. Qual é a vantagem disso? Bem, na época, o empresário, o tal Leo, achou que isso era uma forma de ganhar dinheiro fácil. Deve ter tido algum sucesso, pois esse disco foi lançado em pelo menos três países da Europa. A versão d’O Eremita é italiana (1973, Family Records, SFR – GA 734). A capa traz uma foto de uma outra banda (acredita-se que seja a “Hard Stuff”, banda que era do elenco da Purple Records). O “Funky Junction” tinha tudo para passar despercebido se o fanzine “Black Rose” não tivesse revelado que a banda era composta por Phil Lynnot, Brian Downey (bateria) e Eric Bell (guitarra), ou seja, o Thin Lizzy! Ainda tinha o tecladista Dave Lennox e o vocalista Benny White, ambos da obscura banda irlandesa “Elmer Fudd”. O que rolou foi que o Lizzy em 1973 ainda não era um sucesso, embora já tivesse lançado seus dois primeiros discos. Receberam o convite e toparam ser o “Funky Junction”, porque a grana andava curta e o cachê vinha a calhar. Tiveram um dia para ensaiar e outro para gravar. A idéia do produtor não era exatamente artística, mas sim economizar o máximo para o lucro ser o maior possível. O resultado? Ruim. As versões parecem paródias, não chegando nem a resvalar na qualidade das originais. Claramente a pobreza da produção refletiu no produto final. O único interesse é para os fãs, mais do Lizzy do que do Purple, pela história toda. O disco é uma raridade, mas daquelas que não valem o famoso clichê “disputar a tapa”. Um par ou ímpar e olhe lá.
Escrito por cucci às 10h49
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