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Rock Brado
 


Os defensores da Língua da nossa terra garrida

 

O ranhetão aqui se dispôs a publicar textos em um blog de Rock. Mas, que fique bem claro, este blog não é só sobre o Rock, mas sobre o espírito do Rock! Por isso, haverá ranhetices sobre todas as coisas que incomodam o Eremita. Ele não se conforma com as coisas do jeito que estão por aí. Infelizmente, o velho Eremita não tem o dom de produzir textos em número e com a qualidade suficiente para expressar todas as suas ranhetices no grau desejado. Mas, aqui vai mais uma humilde expressão de sua rabugice (é assim que escreve? Ou será rabujice?).

 

Desta vez o tema é o ganha-pão do Prof. Pasquale, a nossa língua. Tem umas coisas que incomodam muito o Eremita, especialmente na nossa imprensa, tanto falada quanto escrita. Vamos a elas:

 

- o verbo “invadir”. Como é irritante! Qualquer movimento de pessoas para algum lugar vira “invasão”. É uma maldita mania de sempre se expressar com esse nauseantemente repetitivo clichê, que deixa o Eremita louco. É por isso que ele quase não acompanha a mídia. É um tal de “os turistas invadiram o litoral”, “os torcedores invadiram o estádio” e por aí vai. Pelo menos no entendimento do ranhetão, “invadir” é algo negativo, é tomar posse do que não é seu, de maneira forçada. Não dá para aguentar coisas como “as crianças invadiram as sorveterias da cidade” ou “os velhinhos claudicantes invadiram os asilos do litoral neste verão, que promete ser de arrasar...”. Vão invadir o inferno com esse clichê!

 

- mais uma altamente irritante: o uso de “atitude” e “qualidade”. Estes são casos mais usados na nossa imprensa esportiva, valorosa virtuosa no uso da nossa língua. Na verdade, eles falam uma língua própria, uma espécie de dialeto específico, com mais ou menos duzentas palavras. Duas delas são “atitude” e “qualidade”. “Tal time tem qualidade”. “O jogador não teve atitude”. Que qualidade? Boa ou má? Todas as coisas têm qualidade! Algumas têm má qualidade, outras boas. Atitude? Mesma coisa, boa ou má? “É preciso ter atitude”. Todo mundo tem atitude, caramba! O que importa é ela ser boa, adequada, coerente etc etc. Será que só o Eremita se irrita com isso? É duro ficar velho!

 

- das profundezas do inferno vem a próxima mania: o uso maciço do advérbio “literalmente”. Não se usa mais “completamente” ou “totalmente” ou “fortemente” ou qualquer outra palavra para intensificar uma idéia. Só “literalmente”. Aí a gente ouve coisas como “o time entrou pelo cano, literalmente”. Oh, sim os jornalistas esportivos, sempre eles, esses bravos expedicionários da nossa língua, também tem esse vício. Tem um que divide um programa de rádio com o Juca Kfouri na CBN que sempre dá um jeito de encaixar um “literalmente” em suas sábias frases. Mas o fenômeno “literalmente” não fica restrito à imprensa esportiva. É uma praga, falada e escrita. O Eremita fica louco com esse abuso (louco, mas não literalmente);

 

- outras pragas da mesma família, ambas abundantes na nossa sempre erudita imprensa futebolística:  o “enfim” e o “até porque”. O “enfim” é usado em todas as frases. Todas? Exagero eu? Sim. Até agora não ouvi, por exemplo, alguém responder a um bom dia com um “Bom, enfim, dia!”. Mas, estamos perto. Não deve demorar. O “enfim”, que deveria servir para arrematar uma seqüência de idéias semlhantes, do tipo: “veja só, aquele deputado - faltou às sessões, não desocupou seu apartamento funcional após o mandato, descontou para ele uma parte dos salários de seus assessores, vendeu seus votos na Câmara... Enfim, não foi uma exceção”, virou um apêndice “chique” no discurso dos brasileiros e brasileiras, que o usam para fechar todas as frases, mesmo que esta só expresse uma idéia. “Ah, eu, cara amiga Cleide, não gosto de aipo. Enfim, prefiro mandioca”. Muito irritante. Tanto quanto o “até porque”, que está substituindo o “porque”. Principalmente no meio dos valorosos guardiões da nossa língua, os jornalistas. Reparem. É outra mania, que dói nos ouvidos tanto quanto o “enfim”. Exemplo: “o técnico não vai poder contar com o volante Neto Junior, até porque ele está contundido”. Como assim, “até porque”? O que está fazendo esse “até” na frase? É uma mania besta! Bestíssima! Besta p´ra cacete! Se fosse, por exemplo, “o volante Neto Junior, contundido, dificilmente vai ser escalado. Até porque ele e o técnico não se falam desde que decobriram que são casados com a mesma mulher”, aí daria para desculpar o uso do “até”. Mas o que vemos é o seu emprego sempre colado ao “porque”, como no caso “o jogador Sobrinho Junior não foi escalado, até porque ele está morto”;

 

- fechando as implicações do Eremita, vem uma do obituário. Trato aqui da morte dos ordinais. Nossa imprensa, gloriosa, maravilhosa, destemida e incorruptível, entendeu que é melhor aposentar os ordinais. A nova regra é dizer: “Maluf recebeu sua intimação de número dezessete” ao invés da agora arcaica e ancrônica forma “Maluf receu sua décima sétima intimação”.  Se perguntados, certos jornalistas dirão que a simplificação é em nome da clareza. Por exemplo, para a nossa soberba imprensa uma frase como “o Brasil ocupa o centésimo oitavo lugar no ranking dos países que possuem políticos honestos” não está bem construída, porque tem essa coisa esquisita, esse horrível ordinal no meio. É melhor escrever “o Brasil ocupa o lugar de número cento e oito no ranking dos países que possuem políticos honestos”. Espero que o Eremita não seja o único a defender esta causa. Se você concorda, não deixe de se associar à SODO – Sociedade dos Defensores dos Ordinais. Inscreva-se agora! Seja o sócio número sessenta e oito!



Escrito por cucci às 22h21
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