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Rock Brado
 


Clichês cinematográficos abomináveis e insuportáveis – 2

 

Em abril de 2008 foi publicado neste humilde e inócuo blog a primeira parte do manifesto eremítico contra os clichês que povoam muitos e muitos filmes e que, infelizmente, como diria aquele repórter especializado em cobertura de bailes de carnaval, “não tem hora para acabar” (este é um clichê dos mais fortes, por sinal).

 

O Eremita reuniu mais um punhado de clichês. Só que desta vez vão ser citados de um jeito diferente do anterior. Segue um pequeno roteiro, alinhavando essa segunda leva de clichês, que estão destacados com negrito. Lá vai:

 

Esta é a história de Plácido, um assassino de aluguel. Sua mais nova encomenda é eliminar Inocêncio, um metereologista da TV. Ele inverteu a previsão do tempo (“vai chover” e fez sol), melando o programa de fim de semana que um senador da República faria com sua amante. O senador ficou louco da vida. Tanto trabalho para pegar emprestado o iate daquela empreiteira e, no fim, confiando que fosse chover, cancelou tudo. Louco da vida. A ponto de contratar o Plácido para dar um jeito no Inocêncio.

 

Plácido teve que viajar para achar Inocêncio. Chegando à cidade de sua vítima, foi até a cabine telefônica e rasgou a página da lista onde estavam todos os que tinham o mesmo sobrenome de Inocêncio. Plácido reparou que a lista já havia sido rasgada outras vezes. “É a concorrência”, pensou.

 

Nesse momento, Inocêncio está chegando do supermercado, carregando um grande saco de papel pardo, com um aipo (ou coisa parecida) cujo ramo ultrapassa a altura do saco. Coloca o saco sobre a mesa da cozinha e apanha um maço de cartas, que olha rapidamente e o coloca sobre a mesa, sem estranhar o volume de correspondência um tanto exagerado para os dias de hoje, quando poucas pessoas usam o correio. Em seguida, Inocêncio, que se recupera de uma cirurgia, vai fazer seu exercício diário. Ele, na companhia do seu cachorro, corre pela praia. Sai da praia (sozinho - a falta do cachorro custou o emprego do continuista) e pega o Metrô para voltar para casa. Inocêncio não estranha o fato de que a plataforma está vazia. À espreita, Plácido. Ele parte para o ataque. Por algum motivo difícil de explicar, o algoz não puxa um revólver para resolver rápido a coisa. Ele parte para o ataque com uma faca. Inocêncio, que contemplava um cartaz de publicidade na estação, vê o reflexo do assassino no vidro que protegia a publicidade e se esquiva. Com um contragolpe rápido, faz com que Plácido esfaqueie a própria perna. Inocêncio sai correndo estação afora. Plácido o persegue, mancando devido ao ferimento em sua perna. Estranhamente, mesmo correndo são e em bom ritmo, Inocêncio não consegue se desvencilhar de seu perseguidor claudicante. Eles saem da estação e vão para a rua. Inocêncio vê uma porta, que por uma feliz coincidência estava aberta e entra em um prédio, abandonado e escuro. Inocêncio é só tensão. Caminha lentamente, tentando descobrir onde está seu perseguidor. De repente, um grande barulho apavora o nosso metereologista. Foi uma revoada de morcegos assustados (e também um gato) que moravam no prédio. Após o susto, um rápido alívio. De repente, Inocêncio vê uma luz. É Plácido, que não o perdeu de vista, mesmo com uma facada na perna, e já está no prédio. A luz vinha de sua lanterna. Inocêncio achou esquisito o jeito que o bandido levava a lanterna, acima do ombro, quando o normal é carregá-la à frente do corpo, na altura da cintura. A vítima se pôs a correr. Plácido, mesmo mancando, estando em um prédio totalmente desconhecido e às escuras, percorre um atalho e embosca Inocêncio, escondendo-se atrás de uma coluna. Como estava sem a faca, pega uma cadeira de madeira que estava ao lado e dá com ela nas costas de Plácido. A cadeira, que não estava podre, quebra e, com o impulso, Plácido é jogado de encontro a um corrimão, também de madeira, que também quebra! Mesmo após esses dois choques, a vítima, sem nada quebrado, consegue levantar e sai correndo, chegando a um beco ao lado do prédio. Entra em um hotel. Nesse momento, Plácido perde seu perseguido de vista. Inocêncio se registra no hotel, uma velha e decadente espelunca. No teto sobre a recepção, um ventilador gira lentamente, dando um aspecto sufocante ao local. Inocêncio pensa “para que esse ventilador? Nessa velocidade não refresca nada!”. Vai para o quarto. Pouco depois, batem à porta. “Quem é?”. “Serviço de quarto!”. Mesmo não tendo pedido nenhum serviço de quarto e sem desconfiar de nada após tudo o que ocorreu, Inocêncio abre a porta e, para sua surpresa, não era o garçom, mas o matador! Novamente ele consegue sair correndo e entra no prédio ao lado. Era um hospital. Nossa vítima, mesmo debaixo de todo aquele estresse, teve então uma ideia original. Pegou um jaleco de médico, que estava facilmente à mão, em um quarto aberto, cheio de jalecos. Uma maca passa ao seu lado e, em um gesto furtivo, apanha um estetoscópio sem que ninguém percebesse e o coloca ao redor do pescoço. Com esse disfarce, achou que estava livre da perseguição. Mas, quando ia sair, viu de relance seu perseguidor. Apavorado, foi subindo as escadas até o teto do prédio. Inocêncio estava absorto, pensando em como escaparia daquela enrascada, quando, de repente, um helicóptero surge de baixo e se ergue bem à sua frente. Inocêncio nem teve tempo de pensar em como foi possível ele não ter ouvido o barulho do helicóptero se aproximar, ainda mais voando em meio aos prédios, que amplificam o barulho. O fato é que aquele que queria sua cabeça pilotava o helicóptero. Inocêncio olha em volta e vê uma lata de combustível. Rapidamente improvisa uma tocha, acendendo-a com um isqueiro que tinha no bolso, o que é algo intrigante, pois ele não é fumante, e atira a bomba improvisada no helicóptero, que explode e cai feito uma bola de fogo no beco abaixo. Após arremessar a lata, Inocêncio se vira e sai andando, de costas para o helicóptero e, apesar do incrível espetáculo proporcionado pela explosão, não se volta para olhar, caminhando com um ar vencedor no rosto. Encostado em uma lata de lixo no beco, um bêbado que viu toda a ação, olha para a garrafa (envolvida em um saco de papel pardo, é claro) que segurava e despeja todo o líquido. “Depois dessa, nunca mais eu bebo”, pensou.

 



Escrito por cucci às 21h35
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TRIPUTO COM OS TRIBUTOS

 

Além deste blog existe uma infinidade de coisas inúteis neste mundo. Vou detalhar três delas. A primeira é aquele comercial antipirataria que precede o filme principal nos DVDs. Quem comprou ou alugou um DVD oficial, obviamente, não precisa ser conscientizado. Nos DVDs piratas, normalmente esse anúncio é suprimido pelo pirateador. No fim das contas, esse alerta só serve para retardar o início do filme e trouxe vantagens apenas para a produtora do comercial e para os atores que dele participam.  Portanto, inútil. O segundo exemplo é aquela plaqueta obrigatória nas portas dos elevadores (pelo menos em São Paulo), cujos dizeres são mais ou menos os seguintes: “antes de entrar no elevador, certifique-se que o mesmo encontra-se parado neste andar”. O texto, horrível (“certifique-se que o mesmo”), serve, imagino eu, para evitar que pessoas distraídas caiam no poço do elevador. Supõe-se, portanto, que alguém distraído a ponto de não perceber a presença de algo tão grande quanto um elevador vá prestar atenção a uma plaquetinha colada na parede. Nada mais inútil. Se estendermos essa ideia para os demais possíveis acidentes do cotidiano, deveríamos ter avisos do tipo “antes de martelar, certifique-se que seu dedo não esteja entre a ferramenta e o objeto a ser martelado” ou “após colocar as calças, certifique-se que não há nenhuma parte do seu corpo que possa ser mastigada pelo zíper” (ui ui ui). Neste caso, o difícil seria achar um local onde colocar a plaquinha...O terceiro exemplo é algo que foi moda nos anos 90, mas que ainda tem um exemplar ou outro sendo lançado até hoje – os discos-tributo. A fórmula de todos eles é basicamente a mesma: junta-se um grupo de músicos famosos para regravar as faixas mais conhecidas das bandas clássicas, em uma espécie de homenagem. Poderia ser uma boa ideia, caso houvesse uma tentativa de dar uma nova visão à gravação original. A grande maioria dos tributos é inútil porque é composta de meros covers, reproduzindo integralmente o arranjo das gravações originais, de quem, em regra, perdem feio. O cover tem valor quando traz uma nova roupagem, transformando a música. O caso clássico é “With a little help from my friends”, na voz de Joe Cocker, essa sim uma regravação que tem sentido, pois acrescentou novos elementos, com criatividade, gerando um clássico a partir do clássico. Partindo dessa premissa, segue a apresentação/discussão de três discos-tributo. O primeiro é de 1995, chamado “Encomium” (significa “louvor”), dedicado ao Led Zeppelin. A primeira coisa que chama a atenção nesse disco é o elenco escalado: Duran Duran, Hootie & The Blowfish, Maná e Sherryl Crow, entre outras estrelas pop. Depois de pensar um pouco, caiu a ficha: os artistas devem ter sido escolhidos entre os que tinham contrato com a Atlantic, a gravadora do Led. Olhando de forma otimista, até que isso poderia ser um bom sinal. Bandas que não são do meio do Hard Rock talvez trouxessem novas perspectivas, criando em cima dos clássicos do Zep. Lamentavelmente, isso não ocorreu. Quase todas as versões tentam ser fiéis aos originais, mas, como é natural, soam aquém das matrizes. As bandas que tentaram inovar foram a Never the Bride (“Nunca a noiva” – é isso mesmo? Bom, talvez seja um nome ainda melhor que Helmet, ou seja, “capacete”, outra banda presente nesse tributo), que gravou “Going to California” com um vocal feminino, acompanhado ao piano e o Maná, com sua versão em castelhano para “Fool in the rain”. Além do tempero latino ao longo de toda música, lá pela metade entra uma espécie de samba (desculpem a imprecisão, mas é que não entendo nada de samba) e a faixa é encerrada com uma melodia mexicana. Há ainda outra tentativa de recriação em “Down by the seaside”, que ficou bem mais lenta, cantada por Robert Plant e Tori Amos. Isso também é esquisito – o tributo neste caso foi feito pelo próprio tributado. Resumindo: um disco-tributo fraco, seguindo a média dos demais do gênero. O segundo é de 2010: “Guitar Heaven – The Greatest Guitar Classics of All Time”, do Santana, com um vocalista convidado em cada faixa. Falando em Led, a primeira faixa é “Whole lotta love”, que curiosamente traz nos créditos “Page-Plant-Bonhan-Jones e...Willie Dixon! Pelo jeito o processo de plágio obrigou a banda a  incluir o velho Bluesman como a co-autor da música. A regravação do Santana manteve aquela parte intermediária, que quebra completamente o ritmo da música com uma passagem cheia de ruídos, gritos e efeitos sonoros. Isso podia ter algum sentido em 1969, época em que os artistas buscavam derrubar certas convenções estéticas e coisas do gênero. Para que continuar com essa interrupção, tantos anos depois? Será que não dava para criar outra passagem, mais interessante? Esse não foi o único equívoco do Sr. Carlos que, por sinal, é um dos meus guitarristas preferidos. Desde quando “Can’t you hear me knockin’” (dos Stones), “Photograph” (Def Leppard) e “Bang a gong” (T. Rex) são “clássicos da guitarra em todos os tempos”? Outro pecado: a versão rap-latina para “Back in Black” (AC/DC). No mais, versões agradáveis para “Sunshine of your love” (Cream), “While my guitar gently weeps” (Beatles) e “Little wing” (Hendrix, com Joe Cocker no vocal), nas quais há algum esforço criativo. Nas demais, incluindo “Smoke on the water”, temos o padrão dos discos-tributo: reprodução literal do arranjo original. O terceiro caso foi o que mais me decepcionou. A edição de outubro de 2011 da revista inglesa “Mojo” trouxe um CD brinde intitulado “Return to the dark side of the moon”, com regravações da obra-prima do Floyd e também de “Wish you were here”, executadas por bandas desconhecidas (pelo menos para mim), como “Our Broken Garden” e “The Pineapple Thief”, só para continuar na onda de citar as que têm nomes engraçados. Temos dois tipos de covers: os que são ruins porque simplesmente repetem, com enorme desvantagem, os arranjos originais e os que são ruins porque tentaram criar algo e cometeram verdadeiras heresias, com “leituras” (músicos que se consideram descolados adoram esse termo) tecno-eletrônico-sei-lá-o-quê, que conseguiram tornar insuportável a audição de alguns dos clássicos do Floyd. A versão de “Have a cigar” merece que seu autor, um tal de John Foxx, seja encarcerado e isolado do convívio com a sociedade. O pior é que a revista é vendida lacrada aqui no Brasil, de modo que não tive como ouvir o disco antes de comprá-la – e paguei caro, o que é pior. Inútil, inútil, inútil.

Quero registrar que essa postagem foi motivada pelo leitor que se identificou como “2112”, que sugeriu a crítica ao “Encomium” e que só foi possível com a ajuda do Alexandre Gibin Neto, que me cedeu o disco.

 



Escrito por cucci às 21h28
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