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Rock Brado
 


Está desempregado e não tem qualificação? O Eremita dá quatro opções de trabalho, mole, mole!

 

Basta acessar qualquer mídia que, na hora de falar sobre desemprego e mercado de trabalho, o comentário é monotonamente o mesmo: “No Brasil há vagas de emprego sobrando. Falta é gente qualificada para ocupar essas vagas”.  Como não é possível se qualificar de uma hora para outra, o Eremita, esse meditador solitário que aqui escreve, oferece trabalhos para os quais não é necessária nenhuma qualificação. Basta seguir os sábios ensinamentos do velho pensador para descolar um emprego, com uma remuneração pra lá de decente.

São quatro as possibilidades, todas fáceis: meteorologista; economista; comentarista esportivo e técnico de futebol. As dicas que seguem são baseadas em frases prontas e uso do senso comum, que podem ser moldadas repetidas vezes, sem que o ouvinte perceba que está ouvindo sempre a mesma mensagem. Quanto maior a experiência, maiores vão se tornando as alternativas de variação sobre a velha base inicial. É um método similar (atenção - não idêntico, mas similar) ao praticado pelas cartomantes e outros adivinhadores. Eles usam uma técnica chamada “leitura a frio”, que consiste em montar frases genéricas, que o interlocutor, por estar predisposto a acreditar nas previsões, além de associar as generalidades citadas a fatos reais, também vai, involuntariamente, dando pistas para que o “vidente” vá acurando seu discurso. Se quiser saber mais, dê um “Google” em “efeito Fowler”.  

Vamos às opções:

1) Meteorologista.  Começamos pela que tem a menor remuneração das quatro. Esse é um trabalho que traz uma enorme vantagem sobre os empregos comuns – se você errar, nada acontece. Sem contar que, da forma como as previsões do tempo serão fornecidas por você, a chance de errar é mínima. Basta seguir os conselhos do Eremita. Basicamente, a previsão do tempo segue um de três textos-padrão, com algumas variações sutis que compreendem troca de palavras e inversão na ordem das frases. Os tais textos são correspondentes às possibilidades do clima aqui no Brasil: quente, frio ou chuvoso. Antes de começar a escrever sua previsão, dê uma boa olhada pela janela. Não é difícil identificar se o tempo está mais para o quente (são os dias em que você sente calor ou não sente frio); chuvoso (é quando o céu fica cheio de nuvens escuras ou quando já está caindo água. Esse último caso é fácil de ser percebido – estique a mão janela afora. Se ela voltar molhada, provavelmente está chovendo) ou frio (são os demais dias). Com essa impressão inicial, fica fácil fazer uma previsão. Basta seguir os modelos. No caso de um dia quente, o modelo sugerido é: “o dia hoje será de calor, com chuvas esparsas e possibilidades de ocorrências de ilhas de menor temperatura. A temperatura deverá oscilar entre 12 e 45 graus”. Pronto. Você está garantido: se chover, o acerto ficará por conta das tais “chuvas esparsas”. Se esfriar, o cidadão pensará que deu azar, entrando em uma das “ilhas de menor temperatura”.  Com uma amplitude de temperaturas entre 12 e 45 graus, ninguém se sentirá enganado. No caso do dia chuvoso, o padrão é: “o dia hoje será de chuvas intermitentes, com possibilidade de formação de áreas isoladas onde não haverá precipitação. A temperatura deve variar entre 10 e 32 graus”. Tranquilo, não? Se chover, a previsão bateu. Se não chover, o cidadão que eventualmente tenha prestado atenção na previsão vai concluir que deu sorte e está em uma das tais “áreas isoladas”. Como o jeitão do dia naquela olhada matinal pela janela era de um dia chuvoso, dá para tornar a faixa de temperaturas um pouco mais restrita. O caso do dia frio segue o mesmo esquema, então não é o caso de repetir. Usando esse tipo de recurso, seu emprego sempre estará garantido. Um motivo, conforme citado no início, é que raramente você errará. O outro motivo é que, mesmo errando, nada vai acontecer, pois quem vai reclamar? Uma parte do público não vai se dar ao trabalho de ligar ou escrever para a emissora reclamando de você. A outra parte não vai reclamar por achar que entendeu a previsão de forma errada. É por isso que é importante o uso de certas palavras mais técnicas e complicadas como “intermitentes” e “esparsas”, para dar uma inibida na galera.

2) Economista. É um caso um pouco mais complicado do que o anterior, pois é bem mais difícil saber para que, de fato, serve um economista. Como no Brasil, com nossa tradição de termos as finanças públicas mais esculhambadas do mundo, os economistas são muito populares na mídia, fazendo previsões e, principalmente, criticando as medidas do governo.  Vamos nos ater a esse tipo de atividade – o economista midiático adivinhador e comentarista de medidas do governo. Os truques para se dar bem são vários. No campo das previsões, a vantagem é a mesma do que a dos meteorologistas. Se errar, não vai acontecer nada, o que dá um grande conforto e incentivo a sair por aí pregando e prevendo. Mas, tem uma enorme vantagem: se por acaso você acertar uma previsão (e ninguém melhor do que você mesmo para saber que terá sido mesmo por acaso), pronto! Você é elevado à posição de guru. Com isso, o salário sobe e você já pode começar a dar palestras, cobrando um preço indecente. Portanto, faça previsões o tempo todo. Que previsões? Fácil. Sempre aponte que a atual tendência poderá se reverter (atenção no verbo usado – “poderá”. Nunca seja assertivo!). Considerando que você é um total ignorante no assunto, como saber as tendências? Mole. Pegue o caderno de economia de um jornal e veja lá o que está escrito sobre as bolsas, ou o dólar, ou, ainda, sobre o que se passa nos Bálcãs (não importa se você não sabe que diabo de lugar seja esse). Aí, é só repetir, mudando uma palavra aqui, outra ali e acrescentando uns termos técnicos incompreensíveis (inclusive para você).

3) Comentarista esportivo

Essa é uma profissão que está condenada – no dia em que a maioria das pessoas desenvolver bom senso, a figura do comentarista esportivo (especialmente da TV) desaparecerá. Afinal, quem precisa de alguém que está comentando uma coisa que todos estão vendo? Alguém comenta um jantar? Já pensou: “bem, a abobrinha recheada está sendo servida. Pela aparência, eu diria que passou um pouco do ponto, mas vamos esperar a reação daquele gordo da direita que avançou com seu garfo com uma ligeireza impressionante para um cara daquele tamanho. Ele mastigou e fez uma cara feliz! E não é que estava boa, a danada da abobrinha? Nada de passada, não senhor!”. Não existe isso, mas existe uma cara que fica falando: “o time tal está dominando o jogo”. Não brinca! Ele adivinhou seu pensamento! Porque você está vendo o mesmo jogo e percebeu que o time tal está mesmo dominando! Tem dinheiro mais mole? É lógico que a profissão tem lá seus segredinhos. Quando o locutor pergunta ao comentarista: “e aí Zé, foi pênalti?”. A resposta nunca deve ser direta. Algo mais ou menos assim: “do ângulo que eu estou, parece que foi, mas o lance foi muito rápido – vamos pedir ao pessoal do estúdio dar uma olhada no replay”. Ou então: “Zé, está dezoito a zero para o time tal. Faltando dois minutos para o encerramento, você diria que o jogo está definido?”. “Olha, eu acho que sim, mas sabe como é futebol. Tem ainda dois minutos e o juiz não disse quanto vai dar de acréscimo. De repente, podemos ter surpresas”. Outra coisa que é uma mão na roda: as estatísticas. Quando você não souber o que comentar, divulgue um dado estatístico que vai preencher o tempo do comentário, sem dizer nada que valha um centavo, mas que servirá para rechear seu bolso com reais. Tem coisa mais inútil do que estatística em futebol? “O time tal ganhou as três últimas partidas jogando fora de casa”. E daí? Isso dá que vantagem a ele? O jogo começa dois a zero por conta disso? Estatisticamente falando, a influência das estatísticas em um resultado de futebol é exatamente de 0%. Mas, o comentarista não perde a chance de usá-la, criando pérolas da sabedoria como: “faz quarenta e dois anos que o time tal não perde do time qual”. Um detalhe, que provavelmente será omitido, é que os dois times só jogaram uma vez antes, há quarenta e dois anos! E esses caras ganham bem! Não é o emprego dos sonhos? Quanto à possibilidade da profissão desaparecer, fique tranquilo – em um mundo onde quem usa calça rasgada é pobre e quem usa calça rasgada, só que de grife, é rico, o bom senso vai demorar muito para contaminar a maioria.

4) Técnico de futebol

Não tem moleza maior. O salário é uma afronta a qualquer trabalhador – milhares e milhares de reais por mês, sem nenhuma exigência de contrapartida. A lógica é bem simples. Comece seu trabalho em um time, que, obviamente, já era treinado por outro técnico. Não mude nada. Os jogadores vão correr mais pelo simples fato de que o treinador é novo e todos querem aparecer para manter o lugar no time. Com isso, você vai ganhar alguns jogos, passando aquelas instruções manjadas e sem nenhum sentido prático, conhecidas como “linguagem de boleiro”. Depois de umas rodadas, o time começa a perder e você é despedido. Ganha uma bolada absurda de multa rescisória. Na semana seguinte, já está em outro time. E a coisa recomeça. São poucos treinadores, então ninguém fica desempregado. O que você está esperando? Além de tudo isso, você ainda ganha o título de “professor”, mesmo sem nunca ter estudado, com a vantagem que vai receber por mês uma dinheirama que professor algum do mundo vai ganhar nem em dez anos!

 

 



Escrito por cucci às 22h16
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Uma modesta homenagem a Jon Lord

 

 

O Eremita compilou doze entrevistas com O Maestro em um arquivo PDF. Caso isso interesse a você, basta clicar no link http://tiny.cc/eremita (veja a aba 2) para obter esse trabalho gratuitamente.



Escrito por cucci às 16h13
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