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Rock Brado
 


Não acho “Pet Sounds” tudo isso

Início dos 70 do século passado.  Rock, a música da moda. No Brasil, a ditadura militar, o medo e a censura. Não havia muito espaço na mídia para o Rock, seja por medo, seja pela censura ou até mesmo por falta de consumidores em número suficiente. Consequentemente, sem espaço para publicar matérias, poucos eram os jornalistas especializados em Rock. Entre esses poucos, nem todos eram realmente jornalistas. Havia aqueles que misturavam aos fatos algumas ficções próprias ou ouvidas de terceiros e trechos de traduções mal feitas.

Em uma época de escassez de fontes, esses textos sobre Rock, fidedignos ou não, tornaram-se referências. Muitas duram até hoje.

Parte dessas referências foi importada dos jornais e revistas inglesas e americanas. Lá fora alguns críticos de Rock faziam textos excessivamente elaborados, uma espécie de exercícios de erudição. Lembro-me de ter lido críticas de discos que eram enormes, mas mal falavam em música. Passava a impressão que os jornalistas queriam mostrar que eram tão virtuosos com as palavras quanto os músicos eram com seus instrumentos.

Atualmente, a Internet e a montanha de publicações sobre Rock (incluindo as brasileiras – é incrível a quantidade de livros em português sobre o assunto) poderiam ajudar a colocar as coisas de uma forma mais realista, quebrando certas lendas que se formaram no processo que começou nos anos 70.

Mas, não. As lendas, os axiomas, são cada vez mais reforçados pelas mídias atuais. Alguém algum dia escreveu que o Pete Townsend era o maior (ou um dos maiores, o que, no caso, tanto faz) compositores do mundo. Vira e mexe, leio ou ouço a repetição dessa frase. Sejamos sensatos. Quantos compositores qualquer um pode citar que tem produção melhor e maior que ele? Dezenas? Centenas? A verdade é que ele é um bom compositor, não há dúvida. “Um dos maiores do mundo” deve ter saído de um grande fã ou de alguma entrevista da Sra. Townsend ou, ainda, pode ter sido pinçada de um contexto onde fazia algum sentido e passou a ser usada por todo mundo, sem muita reflexão. Outra possibilidade, um tanto comum em qualquer época é o interesse do jornalista no elogio direcionado, seja pela proximidade com o artista, seja por interesses comerciais. É como o locutor esportivo que elogia um jogador propositalmente porque, secretamente, é dono de parte de seu passe.

Esse preâmbulo todo é para comentar sobre o “Pet Sounds” dos Beach Boys. Nunca fui de ouvir muito esses caras. Sempre fui do Rock e Beach Boys era pop demais para meu gosto. Além disso, implicava com o nome (“Garotos da Praia”?) e com aquele visual comportadinho, de modo que até muito pouco tempo eu nunca tinha ouvido esse disco.

De novo, as listas. Qualquer uma que traga os melhores discos de Rock de todos os tempos tem lá o “Pet Sounds” em boa posição. O tempo passa, a gente amadurece e revê certas posições. Ora, por que não ouvir o “Pet Sounds”. É uma unanimidade. Muitos colam os adjetivos “obra-prima” e “gênio” ao disco e ao principal compositor da banda, Brian Wilson. Tá bom, então. Vamos ouvir. Ouvi. É um bom disco pop, sem dúvida. Mas...

Primeiro: é muito mais fraco do que qualquer dos discos dos Beatles, com a possível exceção do “Yellow Submarine”.

Segundo: as harmonias vocais, tão elogiadas, são realmente boas, mas facilmente encontráveis em centenas de outros discos de grupos vocais. Não tem nada de extraordinário.

Terceiro: grande parte da mítica sobre esse disco veio do elogio que Paul McCartney fez à “God only knows”, uma das faixas do “Pet Sounds”. Ele foi generoso. E exagerado. De novo, é uma boa música, mas dá para listar umas trinta composições dos Beatles muito melhores. Isso só para se restringir à banda de Paul. É muito provável que sem essa menção do, aí sim, um dos melhores compositores do mundo (não sou Beatlemaníaco, sou realista), o “sons dos animais de estimação” não teria tanto prestígio.

Quarto: ouvindo “Pet Sounds” de cabo a rabo, muitas vezes me deu a sensação de estar em um parque de diversões. É isso. Quer ter uma ideia sobre o tipo de som que predomina no disco? Pense na trilha sonora de um parque de diversões.

Moral da história: é um bom disco, não há dúvida. Só que superestimado. Muito. Recebeu o carimbo de “presença obrigatória na lista dos melhores discos” e fim de papo. Ninguém mais arranca esse selo. Como diria Confúcio: “certas verdades não são bem verdades”



Escrito por cucci às 10h31
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