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Rock Brado
 


Letras líricas do Rock – II a

Ao alvorecer, os mares são espelhos flutuantes. Mas as marés foram se transformando em tempestade e os ventos mudaram rapidamente. Mulheres aguardavam no porto. Ficavam por ali, silenciosas. Mais um dia as tempestades sopravam, pois os homens o mar havia encontrado.

Pescadores estendiam as redes, os barris espalharam a isca. Os avisos das gaivotas ecoavam pelos arredores, eram ventos que não poderiam esperar. Pessoas aglomeradas no porto, aguardando pela maré. Olhos fechados devido ao borrifo do mar e lágrimas que não conseguem esconder.

Cascos rangiam, velas estalavam, a chuva fustigava. Lonas batendo, conveses lavados, os barcos inclinavam-se e giravam. Trovões ressoando no porto, o medo das mulheres aumentando. Comprimiam-se para esperar a hora, rezando para que o céu limpasse.

Ventos uivantes e as ondas furiosas racharam os barcos. Arrancados da segurança, arrancados da vida, homens com pouca esperança. Ecos assustadores no porto, sussurros de morte. Mulheres chorando, segurando as mãos daqueles que ainda lhes restam.

Sombras caem no porto. Mulheres estão lá, aguardando. As tempestades sopravam de outro modo, pois os homens o mar afogou.

 

Um texto e tanto, não? Dramático. Cinematográfico. Pois, a menos da pontuação, uma ou outra conjunção e demais complementos para ligar as frases, essa é a letra da música “At the harbour”, que está no álbum “Ashes are Burning” (1973) da banda inglesa Renaissance. É uma letra atípica, com palavras pouco usuais, mesmo no universo do Rock Progressivo. Onde poderia ser encontrada uma frase como “hulls were creaking crashing sails, rains were slating down. The oilskins flapping, decks awash, slanting turning round”. Por conta disso, a tradução (super-livre) deu um trabalhão pro Eremita.e deve ter lá seus problemas. O importante é admirar essa letra, tão elaborada, criativa e, acima de tudo, bela (reproduzida na parte II b deste texto). A autora é Betty Tatcher, que não fazia parte da banda. Era uma letrista que escrevia a pedido dos músicos, contribuindo em vários álbuns do Renaissance.

A obra de Betty Tatcher recebeu uma embalagem à altura. A música tem três partes. As partes inicial e final são tocadas apenas por John Tout ao piano e traz uma releitura da composição “The Sunken Cathedral”, do compositor clássico francês Debussy. O meio da música é que traz a interpretação da letra pela magnífica e incomparável cantora Annie Haslam, acompanhada pelo violão de Michael Dunford e um órgão suave, ao fundo. Annie ainda faz um coro sobre a parte final, acentuando o clima fúnebre da letra. É uma faixa forte em um disco que só tem faixas fortes. Os dois maiores clássicos da banda estão nesse disco: a faixa título, que a exemplo de “At the harbour” e outras mais da autora, tem uma letra um tanto pessimista e termina com um solo sensacional do Andy Powell, guitarrista do Wishbone Ash; e “Can you understand”, provavelmente a música mais conhecida do Renaissance.



Escrito por cucci às 07h49
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Letras líricas do Rock – II b

Segue a letra referente ao texto acima.

At the harbour

(Betty Thatcher/Michael Dunford)

 

Out the daybreak to the sun

Seas are drifting glass

The tides were turning into the storm

Winds were moving fast

Women waiting at the harbour

Silent stand around

Weather storms another day

For men the sea had found

Fishermen were laying nets

The barrels spread the bait

The seagulls warning echoed round

Winds that wouldn't wait

People gathered at the harbour

Waiting for the tide

Eyes are closed against the spray

And tears they cannot hide

 

Chorus:

Shadows falling at the harbour

Women stand around

Weather storms another way

For men the sea have drowned

 

Hulls were creaking crashing sails

Rains were slating down

The oilskins flapping, decks awash

Slanting turning round

Thunder roaring at the harbour

Women drawn in fear

Huddle up to wait the time

And pray the sky will clear

Howling winds and the raging waves

Cracked upon the boats

And torn from safety, torn from life

Men with little hope

Ghostly echoes at the harbour

Whispering of death

Women weeping holding hands

Of those they still have left



Escrito por cucci às 07h43
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Discos estranhos da coleção do Eremita – 5

  

Olha só que time: John Entwistle e Keith Moon (respectivamente baixista e baterista do The Who); Bill Bruford (bateria, Yes e King Crimson); James Dewar (baixista e vocal, Robin Trower Band); os vocalistas Alice Cooper, Frankie Miller (cantor solo escocês), Jim Dandy (Black Oak Arkansas) e Elkie Brooks (Vinegar Joe); Nicky Hopkins (teclado, Rolling Stones); Carmine Appice (bateria, Vanilla Fudge); Justin Hayward (guitarra, Moody Blues); Eddie Jobson (teclados, UK) e Kenny Jones (bateria, Faces). Imagine se todos eles resolvessem gravar um disco. Sim, eles fizeram isso! Ao longo de todo mês de dezembro de 1974 foi registrado o álbum “Flash Fearless versus The Zorg Women, Parts 5 & 6”. Esse disco, um LP simples, saiu no Brasil, via Phonogram, em 1975 (número de catálogo 6307 546). O exemplar do Eremita foi comprado muito tempo depois, em um sebo. Ele estava na parte de coletâneas! Dá para entender o engano. A capa tem um estilo que lembra uma daquelas coletâneas que as gravadoras montavam de vez em quando, com títulos como “Rock Concert”; “Rock Explosion” etc. Mas o que provavelmente enganava mais era a lista de nomes no canto esquerdo da capa (Alice Cooper, Elkie Brooks, Jim Dandy, John Entwistle e Frankie Miller). Não era razoável que se tratasse de uma banda, então deve ser coletânea!

Apesar de contar com tantos nomes ilustres, é um álbum relativamente desconhecido. Ou melhor, era, afinal o Rock Brado é um dos blogs com maior acesso em termos mundiais. Voltando ao álbum, ele não aparece em muitas das discografias dos músicos citados. Afinal, qual é a história deste disco? A ideia era produzir um musical, baseada em uma história de super-herói criada por David Pierce. Um gibi com a história vinha encartada no LP original inglês. Não sei se foi incluído na edição brasileira (como disse, o meu exemplar foi de segunda mão). Eu apostaria que não. De qualquer forma, não é grande perda. Trata-se de uma aventura de super-herói, o tal “Flash Fearless”. Quem diria que alguém criaria mais um super-herói chamado “Flash”! O tal Pierce escreveu as letras do disco e as músicas ficaram por conta de Dave Pierce. São dez faixas, sendo que John Entwistle está presente em nove (a décima faixa é só uma vinheta tocada no sintetizador). O álbum foi produzido por John Alcock e gravado nos estúdios da Chrysalis Records, que também lançou o disco (a versão nacional também saiu sob esse selo). Isso explica a presença de parte do elenco, como, por exemplo, Dewar, Mick Grabham (Procol Harum) e Chick Churchill (Ten Years After), todos pertencentes à Chrysalis. Apesar de o título indicar que se tratam das partes 5 e 6 da história, é provável que não existam outras, pois o trabalho todo não deu certo.

Por que não deu certo? Com uma galera dessa, é claro que as execuções das faixas são impecáveis. O problema é que as composições não são nada empolgantes. Eu ouvi poucas vezes o disco e ele não me traz a lembrança de nenhuma música em particular. A exceção é a divertida “To the chop”, um Rock’n’Roll tradicional, ao molde de “Blue Suede Shoes”, cujo vocal é o Entwistle.

Por isso tudo, é um disco realmente esquisito.

Lista completa das faixas, com o respectivo vocalista: Part 5 (corresponde ao lado A do LP) – Trapped (Elkie Brooks); I’m flash (Alice Cooper); Country cooking (Jim Dandy); What’s happening (James Dewar). Part 6: Space pirates (A. Cooper); Sacrifice (E. Broks); To the chop (J. Entwistle); Supersnatch (Frankie Miller); Blast off (J. Dandy) e Trapped (reprise), instrumental.



Escrito por cucci às 21h35
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Sabbathina e revelações

Andei sumido um tempo. Normal. Afinal, assim são os eremitas.  Neste retorno, pretendo revelar algumas verdades. Antes, atendendo a inúmeros pedidos, vou apresentar meu comentário sobre o disco “13”, do Black Sabbath.

O ano de 2013 trouxe de volta duas bandas muito veteranas demais – o próprio Sabbath e o Deep Purple, com seu álbum “Now What?!”, também comentado neste omissivo blog.

Os músicos das duas bandas são profissionais da composição. Excelentes profissionais. Existem pontos baixos na discografia de ambos, sem dúvida. Credito isso às pressões, tanto externas (obrigações contratuais em soltar um disco mesmo sem estar lá muito inspirado) como internas (brigas, drogas, ciúmes e choques de egos, em geral). Como nos dois casos (“13” e “Now What?!”) as bandas tiveram tempo suficiente para compor e amadurecer as ideias, daria para apostar, antes mesmo de ter ouvido os discos, que se tratariam de bons conjuntos de músicas. O prognóstico bateu, em ambos os casos.

Recebi o disco do Sabbath das mãos do próprio Iommi, em uma noite fria em um pub quase deserto em Bundsville, Idaho, um dia antes de um show da banda. Estava por lá a negócios e nem pensava em ver o show, pois os ingressos estavam esgotados há meses. O consolo foi tomar umas e outras no tal pub, o mesmo que Iommi escolheu para dar uma relaxada. Conversamos um pouco, especialmente sobre política – ele pareceu particularmente interessado no governo da presidente Dilma – e no fim do papo ele me presenteou com o disco. Que coincidência, não?

Desde então ouvi o disco exatamente 14 vezes. Minha conclusão é que se fosse o disco de uma banda iniciante, ela seria aclamada e condecorada com todos os adjetivos possíveis para um estreante. Seria a nova sensação mundial. Em se tratando de Sabbath, no entanto, sempre se espera um pouco mais, que surjam novos e numerosos clássicos. Assim como no caso do “Now What?!”, as esperanças foram atendidas parcialmente. Algumas faixas são muito fortes, sendo que a minha preferida é “Age of reason”, que tem um riff belíssimo, a única que foi transferida para o pendrive que levo no carro. Completam os pontos fortes a faixa de abertura “End of beginning”, “God is dead” (o solo final de Iommi é o melhor do disco) e “Live forever”. Nesta, aparecem as mesmas preocupações com a idade e a proximidade da morte que o Gillan inseriu nas letras do último disco, que pode ser resumida na frase que Ozzy repete no refrão: “eu não quero viver para sempre, mas também não quero morrer”. Só não gostei mesmo das duas últimas músicas. Duas em oito? Um disco 75% bom, então. Vale. Ainda mais que o restante da concorrência anda produzindo pouco e o que produz é de qualidade bem inferior.

Para finalizar, vamos às revelações das verdades: (1) não foram inúmeros pedidos. Só o meu amigo Gibin me pediu para comentar este disco; (2) como não existe a cidade de Bundsville, toda a história que segue é inventada. Na verdade comprei o disco em um supermercado de Jundiaí, a única cidade para onde vou à negócios; (3) ouvi o disco só oito vezes e não catorze; (4) mesmo quando falo de Sabbath, não consigo não falar do Purple. Acho que citei o Now What?! mais do que o “13”. É mesmo patológico. Reconheço esse problema e tenho tentado me tratar, ouvindo outras coisas, como Gillan, Rainbow e Whitesnake. Em 2014, tudo vai mudar.



Escrito por cucci às 14h35
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Letras líricas do Rock – I

 

Já escrevi sobre a importância relativa que as letras das músicas têm no Rock. O padrão são letras genéricas, que não contam história nenhuma. A maioria fala de amores ou carros. Outras letras não tem realmente nenhum sentido e são apenas coleções de palavras que se encaixam bem na melodia (o Yes faz muito isso). Portanto, não é o caso de cobrar que bons Rocks tenham boas letras.

É lógico que existe o grupo das boas letras, aquelas que sobrevivem por si só, sendo brilhantes até mesmo sem o apoio da música. Nesta série que aqui se inicia a proposta é apresentar casos de letras que se sobressaem da mediocridade das composições do Rock, comentando um pouco sobre elas.

A primeira letra é a que gerou a ideia de escrever esta série. Trata-se de uma faixa do disco “Nursery Crime” (1971), o meu preferido do Genesis e que traz a maravilhosa “The Musical Box”, uma das melhores da banda. A letra escolhida, porém, é de outra faixa, “Harold the Barrel”. Embora não seja das músicas mais badaladas e sempre esquecida em coletâneas, trata-se de uma pequena obra-prima. São apenas três minutos, nos quais uma história é contada como se fosse um enredo de um filme ou peça de teatro. O texto da letra traz a locação ou o personagem que cita cada frase (e que não são cantadas pelo vocalista, Peter Gabriel), seguindo o modelo usado em roteiros (veja na reprodução a seguir). A produção da faixa incluiu efeitos sonoros e vozes ocasionais sobre o que está acontecendo. Dá para enxergar toda a trama sem que seja necessário um filme.

A letra conta a história de Harold, um dono de restaurante que corta os dedos do seu pé e os serve junto com o chá. Ao ser descoberto ele foge e vai parar na beira de uma janela no alto de um prédio. Isso acaba gerando um acúmulo de gente, chega a televisão, o prefeito e até sua mãe aparece, com aqueles comentários tipicamente ingleses: “Saia daí! Se seu pai estivesse vivo, ele ficaria muito muito aborrecido”; “Sua camisa está suja e a BBC está aqui”. Tudo isso com uma trilha sonora em um ritmo ágil, divertido (exceto no ponto em que Harold reflete que, ao invés de estar naquele parapeito, ele poderia estar em um barco, bem longe dali). Uma verdadeira ópera-bufa moderna.

Lá de cima Harold sente toda a pressão da multidão (olha só que imagem: “The crowd was getting stronger and our Harold getting weaker. Forwards, backwards, swaying side to side”. Em uma tradução amadora do Eremita: “a multidão ia se reforçando e o nosso Harold enfraquecendo. Avanços, recuos, movendo-se para lá e para cá”).

No fim, é claro, o pobre Harold se joga.

Segue a letra original.

Harold the barrel

(Tony Banks/ Phil Collins/Peter Gabriel/Steve Hackett/ /Mike Rutherford)

 

News:
A well-known Bognor restaurant-owner disappeared early this morning.
Last seen in a mouse-brown overcoat
suitably camouflaged
they saw him catch a train

Man-in-the-street:
"Father of three its disgusting"
"Such a horrible thing to do"
Harold the Barrel cut off his toes and he served them all for tea
"Can't go far", "He can't go far"
"Hasn't got a leg to stand on"
"He can't go far"

Man-on-the-spot:
I'm standing in a doorway on the main square
tension is mounting
There's a restless crowd of angry people

Man-on-the-council:
"More than we've ever seen - had to tighten up security"

Over to the scene at the town hall
The Lord Mayor's ready to speak

Lord Mayor:
"Man of suspicion, you can't last long, the British Public is on our side"

British Public:
"Can't last long", "You can't last long".
"Said you couldn't trust him, his brother was just the same"
"You can't last long".

Harold:
If I was many miles from here,
I'd be sailing in an open boat on the sea
Instead I'm on this window ledge,
With the whole world below

Up at the window
Look at the window...

Mr.Plod:
"We can help you"

Plod's Chorus:
"We can help you"

Mr. Plod:
"We're all your friends, if you come on down and talk to us son"

Harold:
You must be joking

Take a running jump

The crowd was getting stronger and our Harold getting weaker;
Forwards, backwards, swaying side to side
Fearing the very worst
They called his mother to the sight
Upon the ledge beside him
His mother made a last request.

67-yr-old Mrs Barrel:
"Come off the ledge if your father were alive he'd be very,very, very upset.
"Just can't jump, you just can't jump"
"Your shirt's all dirty, there's a man here from the B.B.C."
"You just can't jump"

Mr. Plod:
"We can help you"

Plod's Chorus:
"We can help you"

Mr. Plod:
"We're all your friends, if you come on down and talk to us Harry"

Harold:
You must be joking.

Take a running jump...



Escrito por cucci às 14h35
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Um breve miniguia compacto resumidíssimo de tradução inglês/português

 

Nossa jovem colônia passou por várias influências, dependendo do colonizador. Primeiro vieram os portugueses e aí trocamos o tupi-guarani pelo idioma de nossos patrícios de além-mar. Passados bons pares de anos começou a contaminação disseminada pela potência cultural de outrora, a França. O Brasil queria ser a França. Isso durou muito tempo. Eu, pobre Eremita, por exemplo, em plenos finais anos 70, ainda estudei francês como segunda língua na escolar (c’est un crayon?).  Nessa época o poderio americano já havia substituído o francês no papel de colonizador. Tudo isso é inevitável e natural. Só acho que a gente aceita com muita passividade essa influência. Tudo que é americano tem que prosperar por aqui, não só na língua como nos costumes. Passamos a comemorar o Hallowen! É ridículo! Fico imaginando o quanto vai demorar para mudarmos a comemoração da nossa Independência (até parece...) para 4 de julho. Na língua, certas coisas são tão ridículas quanto. Por exemplo, “delivery”. Desde quando é menos complicado falar “entrega” do que “delivery”? E “self-service” então? Dependendo do lugar e de quem atende, a gente ouve “este restaurante é do tipo serve-serve”.

Tudo bem, a língua é uma coisa viva, que fica saltitando no chão até que alguém dê nela uma sapatada e mesmo assim ela não para quieta, mas há de se ter bom senso, brothers. O charme de uma palavra em inglês é um grande apelo a nós, brasileiros incultos e preguiçosos, que aceita tomar um “cocktail”, mas jamais se sujeitaria a um rampeiro “rabo de galo”, embora o segundo seja a tradução literal do primeiro. Tampouco aceitaria ser chamado de “garoto-vaca”. “Cowboy” sim, aí é legal. São trocentos exemplos como os tristemente vulgares “off” e “sale” nas vitrines de lojas em liquidação ou os anúncios publicitários que trazem seus slogans (êpa!) em inglês, como “keep walking” e por aí vai.

O Eremita é claro, fica irritado com essas coisas, mas a função deste blog é o de prestar serviços de utilidade pública. Então já que não dá para empurrar o inglês porta afora, vamos pelo menos traduzir direito algumas coisas. Como o Eremita lê muitas coisas sobre Rock, há muito tempo (aceitando, é claro, essa música vinda da colônia, mas, pera lá – Rock pode!), muitas matérias são em inglês e, às vezes, se depara com suas traduções, que aparecem em sítios (não, não, sítio realmente não dá – usemos “site”, mesmo. Aliás, “blog” também pode!) e revistas nacionais. Mesmo não conhecendo a fonte, dá para sacar quando é uma tradução por conta de umas escorregadelas geradas por palavras heterossemânticas (não sabe o que é isso? – vai na Wikipedia, pô!).

Vamos aos exemplos mais comuns dessas escorregadas que derrubam os tradutores rockeiros:

Ultimate – poderia ser traduzido como “o máximo”. Não tem nada a ver com ficar em ultimo ou com um ultimato.

Exquisite – “refinado” é uma boa tradução. “Esquisito” é uma péssima tradução.

Aka – é uma sigla, para “also known as”, ou seja, “também conhecido como”. Por exemplo, “Bill Gate, aka bicho-de-goiaba, doou cinco centavos para restaurar a caverna do Eremita, que está sofrendo infiltrações que estão mofando seus provolones”.

Argument – Não, não é “argumento”. O cara X não saiu da banda Y depois de “argumentar” com o empresário. Foi depois de uma briga. “Argument” é discussão. Vou evitar aqui a piada óbvia de terminar a frase com um “essa é a tradução e não tem discussão”, pois detesto piadas óbvias.

At the end of the day – expressões idiomáticas são as que mais derrubam os tradutores. Essa por exemplo, tem o sentido de “no fim das contas” e não de “no fim do dia”, frase que a gente lê muito em textos traduzidos e muitas vezes estranha o que ela estaria fazendo naquele contexto.

Agora as três campeãs:

Actually – tem o maior jeitão de “atualmente”, mas realmente significa “realmente”. Cuidado, cuidado.

Eventually – em geral é usado como “finalmente” e não como o evidente “eventualmente”. Voltando em um exemplo anterior: “eventualmente, o cara X saiu da banda Y depois de argumentar com o empresário”. Agora você já sabe: a tradução fica bem melhor se o resultado for “finalmente, o cara X saiu da banda Y depois de discutir com o empresário”.

Self indulgence – essa expressão é muito usada pelos rockeiros ingleses e muito traduzida pelos rockeiros brasileiros como “autoindulgência”, palavra que não tem nenhum sentido. O espírito da coisa, neste caso, é “comodista”, ou seja, acomodado, meio que sem criatividade, deixando as coisas seguirem seu rumo sem fazer nada para mudá-las e por aí vai.

O Eremita espera ter colaborado modestamente com seus parcos conhecimentos da nossa futura língua-mãe para a melhoria das atuais traduções de textos em inglês. Recomendo que, em casos de dúvidas sobre outras palavras, procure meu associado na elaboração deste texto, the big soccer coacher Joel Santana.



Escrito por cucci às 14h27
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