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Rock Brado
 


Rock Brado: uma usina de bobagens ou de verdades com as quais ninguém concorda? (parte 2)

Continuando com o assunto da postagem anterior...

Grateful Dead – nunca fui muito fã de Rock Psicodélico, de modo que o Grateful Dead era uma banda para a qual eu não dava a mínima. Mas, o tempo vai passando e a gente tende a ser menos radical. Um dia resolvi que eu deveria tentar conhecer o som desses caras, já que por aqui um monte de gente gostava. Estava eu passando em frente a uma loja de discos que ficava próxima ao meu trabalho quando vi uma banca de ofertas. Lá fui eu dar uma olhada quando encontrei um tipo de “The Best of” do Grateful Dead. Comprei. Cheguei em casa e fui ouvir o álbum. Começou um processo que eu chamo de “síndrome do disco ruim”, que ainda não está devidamente documentada na Wikipedia, mas pode ser assim resumida: discos ruins costumam ser identificados já nos segundos iniciais da faixa de abertura. Neste caso da coletânea do Dead, eu ouvi  a primeira faixa inteira, mesmo achando horrível, por uma questão de respeito. Um disco deve ser ouvido do início ao fim e degustado várias vezes, até se ter um veredito. Isso para as grandes bandas. Não se perde tanto tempo com bandas meia-boca. No caso deste disco, a “síndrome” já se manifestou na segunda faixa - não consegui ouvir inteira e pulei para a terceira. Depois de um terço da música ter girado no prato, nova mudança de faixa, sempre com aquela esperança “qual é, pô, é um greatest hits. Vai ter música legal aí no meio”. Nada. Pulos de faixa em faixa e a “síndrome do disco ruim” estava confirmada. Inaudível. Voltei na loja com o disco, explicando para o vendedor que aquilo era muito ruim e pedindo para ele trocar, mesmo que fosse por um mais barato ou que eu tivesse que colocar uma grana de diferença. O vendedor, é claro, se negou. No íntimo eu pensava “não posso manter este disco lá em casa”. Virei para o vendedor e falei: “taí, pode ficar”. Acabei por deixar o LP em cima do balcão e fui embora. Nunca havia feito isso antes e nunca fiz depois, o que dá bem a ideia do quanto eu achei ruim o Grateful Dead.  Para mim, aquele disco era a materialização do adjetivo “insuportável”. Ter tantos seguidores quanto eles têm é um mistério, que eu não perderei meu tempo em tentar decifrar. Gosta do “Grateful Dead”? Gosta mesmo? Ótimo, seja feliz. Para mim, é como carnaval, sertanejo, luta-livre, comida japonesa, moda, novela – tudo igualmente insuportável.

Frank Zappa – eu gosto do Frank Zappa. Tenho alguns de seus discos, a saber: “One size fits all” (o que mais gosto); “Zoot Allures”, “Bongo Fury” e mais um punhadinho. Mas, não gosto tanto assim a ponto de me considerar um fã. Não sou músico, portanto não tenho condições de avaliar tecnicamente a qualidade das suas composições. Considero que existem dois tipos de música: uma é aquela que você reage com o corpo, dançando, balançando a cabeça, batendo o pé, cantando e desabafando a plenos pulmões e a outra é a contemplativa, que você ouve sentado, absorvendo as notas, viajando no som, muitas vezes criando imagens mentais para ilustrar as sensações. De um modo geral, a do Zappa não é de nenhum dos dois tipos. Musicalmente sua obra é complexa, com variações constantes de compassos, sempre interpretada com bases instrumentais elaboradas e executada por músicos de primeira linha. Não dá para ouvir a toda hora. Tem algumas faixas que se encaixam nas descrições acima, como “Torture never stops”, com sua levada mais convencional, progressiva, contemplativa. Existem outras assim, é claro. O problema não é o repertório. O problema é que o Zappa é um artista muito mais falado do que ouvido. E isso é o que me irrita. Cite Zappa em uma conversa sobre música. Entre as três primeiras palavras haverá “gênio”, com certeza. Citar Zappa acabou virando uma forma de mostrar que você é um cara sofisticado, que não ouve música comercial. Só que dentre os que citam, poucos o ouvem de fato e, dos que ouvem, poucos realmente gostam. Lembro-me que uma vez uma garota veio com a frase: “adoro Frank Zappa!”. Evidentemente que aquilo merecia uma exploração, pois ela não correspondia àquele tipo de Rockeiro que solta essa frase casualmente, como querendo expor seu currículo musical para impressionar a galera. Comecei minha exploração com uma pergunta matuta: “é mesmo? Que disco você gosta mais?”. Veio a resposta na bucha: “Sheik Yerbouti”. Eu tinha esse disco. Um álbum duplo, um tanto difícil de digerir, tanto que ele estava na mira para entrar em um futuro rolo com outros LPs que eu não ouvia mais. Parecia que eu estava diante de uma fã legítima. Continuei, arguto, pois tinha lá minhas desconfianças: “tem uma faixa preferida?”. Isso foi um xeque. “Sim, Bobby Brown!”. Xeque-mate! Ela gostava de uma música do disco (a única tipicamente comercial do álbum todo) e já se dizia fã de Frank Zappa. É o mesmo que alguém dizer que é fã de Lou Reed porque gosta de “Walk on the wild side”. Aliás, Lou Reed poderia estar nesta lista, só que resolvi terminar com Frank Zappa. Voltando a ele. Gênio? Acho um exagero. Eu o vejo como um cara extremamente criativo e prolixo e que aproveitou sua fama e tino comercial (ele era um rígido homem de negócios) para fazer a música que o divertia, independente de ter que seguir correntes ou modas. Eu o respeito muito por isso. Um guitarrista excepcional? Outro exagero. Dominava a guitarra e tocava com grande habilidade? Obviamente que sim. Tenho uma caixa que contém apenas solos (“Shut up ’n play yer guitar”) e digo que o que sinto: técnica e habilidade não faltam. Já emoção e variações... Concluindo: eu gosto, alguns discos são realmente bons, outros são ruins (não compre “Man from Utopia”, exceto se você gostar do Liberatori, grande ilustrador italiano, autor do “Ranxerox” e que fez a capa). É, inquestionavelmente, um guitarrista de mão cheia (embora isso, na prática, seja impossível. Estou me referindo a tocar guitarra com a mão cheia. Andaram rolando uns mal-entendidos então decidi que, doravante, vou explicar meus trocadilhos). Agora, Frank Zappa, um gênio? Bom, ele não está na minha lista de gênios. Quem está? Bem, aguarde para breve a publicação “10 gênios que você deve usar em sua camiseta antes de morrer”, que O Eremita vai lançar, assim que acabar com a obra “Coisas que você deve fazer antes de morrer porque depois que morrer não vai dar para fazer mais nada”.



Escrito por cucci às 15h28
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Rock Brado: uma usina de bobagens ou de verdades com as quais ninguém concorda? (parte 1)

Uma vez consolidada uma ideia ou um símbolo na cultura popular, esqueça, não só é impossível alterá-los como ninguém se importa em questioná-los. Vamos a alguns exemplos:  a imagem do personagem do vagabundo criado por Charles Chaplin estará eternamente associada a algo engraçado e romântico, mesmo que a maioria das pessoas não tenha assistido a nenhum de seus filmes e, portanto, percebido que de cômico ele tem muito pouco. A foto manjada do Guevara de boina estampa camisetas e adereços diversos e é exibida por todos aqueles que se acham um pouco revolucionário, mesmo sem saber um pingo do que o tal cara de boina fez ou mesmo o que significa uma revolução. Quer uma foto para ilustrar alguma coisa irreverente? Nove entre dez publicitários geniais (um deles inventou essa história dos “nove entre dez”) usarão a foto do Einstein de língua para fora. Engula-as todas, sem mastigar. O Rock, que deveria ser algo desatrelado dos clichês por natureza, está lotado de exemplos assim.

Para explicar quais são, vou voltar ao início dos anos 70, época em que no Brasil começaram a surgir as primeiras mídias sobre Rock e quando boa parte das ideias e símbolos do gênero foram grampeados nas fichas de seus nomes mais famosos.  Até então, rádio, TV e grandes jornais só divulgavam a música Pop e tinham pouco espaço para o Rock. Quem quisesse informação tinha que recorrer às poucas publicações dedicadas, como a versão brasileira do jornal “Rolling Stone” ou à revista “Rock, a História e a Glória” (*). No geral, o que a mídia brasileira fazia era repetir o que saia no exterior, principalmente nos Estados Unidos e Inglaterra. Não havia Internet, então as fontes eram as revistas importadas, os releases das gravadoras e as pessoas que viajavam ao exterior e traziam as novidades na bagagem. Viagens ao exterior não eram essa facilidade que temos hoje. Basicamente, só ricos iam para o exterior. A informação que vinha da classe mais alta não era exatamente a que mais refletia o espírito do Rock. Outra coisa: proporcionalmente, poucos dominavam o inglês. Isso também era mais ligado a quem tinha mais poder aquisitivo. Juntando tudo, o que era divulgado no Brasil? Fatos e notícias filtradas pela mídia e a replicação do gosto popular americano e inglês, mesmo que isso não tivesse ligação nenhuma com nossa cultura.

O Rock foi um movimento universal, que continha um recado para os jovens. Era uma forma de tentar mudar o estado das coisas, despertar o espírito crítico, incentivar o inconformismo. Dentro do grande saladão que se formou, tudo virou Rock. Nomes da música folclórica regional viraram Rock. Ídolos da Soul Music viraram Rock. Músico indiano virou Rock. Isso foi produto da quebra de barreiras. Ótimo. Nesse ponto juntamos as coisas. De um lado, toda a população de músicos dos mais diversos gêneros englobados sob o título “Rock”. Do outro, a mídia brasileira que se limitava a promover aquilo que era sucesso lá fora, independente do contexto cultural que o acompanhava. Vamos a um caso prático: Bob Dylan. Um músico cuja popularidade nos Estados Unidos foi criada por dois motivos principais: ele eletrificou a música folclórica, o que foi um choque, pois até então só se utilizavam instrumentos acústicos e criou letras que retratavam de uma forma crítica e com um texto intelectualizado (para o nível das músicas de até então) a realidade americana. Por outro lado, sua voz anasalada e o seu jeito de cantar não eram agradáveis, assim como muitas das suas músicas. Para os americanos, no entanto, no contexto, trata-se de um dos seus grandes artistas. E lá vamos nós, brasileiros, seguindo a boiada. Gosto pessoal de lado (acho Bob Dylan por Bob Dylan insuportável, mas algumas de suas músicas quando regravadas por outros artistas ficaram muito boas), o fato é que se dependesse só de sua produção, a chance de Bob Dylan ser um artista cultuado no Brasil do jeito que é, seria nenhuma. Pegue um disco como o “The times they are a-changin’”, tido como um dos principais do Bob Dylan e cuja melhor coisa é o título. Ouça-o friamente, deixando de lado toda sua fama e tire sua própria conclusão. Na verdade, você fará uma coisa que poucos realmente fazem – ouvir um disco do Bob Dylan. A maioria que diz que gosta dele conhece apenas aquelas faixas mais manjadas, que tocam de vez em quando ou são estupendamente interpretadas por certo ex-senador brasileiro. Duvido que você realmente goste, porque é chato. Muito. Mas, ele é um mito mundial, ao que aderimos, é claro, independentemente do que sua obra tenha a nos dizer.

Voltando à mídia impressa brasileira, outro problema lá do inicio dos anos 70 é que, muitas vezes na falta de informação, inventavam-se coisas. Ou então se traduzia errado o texto original das revistas e jornais de fora. Com isso, eternizaram-se informações erradas, que até hoje são ouvidas em rodadas de cerveja botecos afora. Outra coisa comum era a tentativa dos redatores se tornarem versões nacionais de certos jornalistas americanos e ingleses que escreviam de forma pseudo-erudita, como para demonstrar que eram tão virtuosos nas letras quantos os músicos que criticavam eram com as notas. Nessa época muitas “verdades” foram perpetradas e nunca mais mudaram. Ídolos se tornaram intocáveis e assim permanecerão para a eternidade, independentemente de sua qualidade intrínseca. Se é bom lá fora, tem que ser bom aqui.

O que vem daqui para frente é algo que só mesmo um blog permite. Se fosse escrito para uma mídia paga, O Eremita seria tachado de alguém que só quer provocar polêmica para aparecer ou então de um aculturado musicalmente ou, simplesmente, de um idiota. O bom de ter um blog é isso – meu texto não vai me custar o emprego, não vou deixar de receber mimos das gravadoras e tampouco serei abordado por estranhos na rua (pelo menos por conta desse texto, pois, é estranho, mas eu tenho um certo imã para atrair pessoas excêntricas) e, desta forma, poderei continuar a escrever coisas idiotas livremente.

Vamos a alguns casos de famosos com mérito, só que superestimados por todo mundo, incluindo aí o personalista meio musical brasileiro:

The Who – tenho certa antipatia pelo Who, por vários motivos. Alguém escreveu certo dia que o Pete Townsend é um dos maiores compositores de todos os tempos. Eu suspeito que tenha sido a mãe dele que registrou tal asneira, mas, o fato é que essa frase vira e mexe é citada nas várias mídias e as pessoas acabam acreditando. Lembro-me quando passou o filme “Tommy” aqui no Brasil e lá fui eu assistir, pois não tinha o disco e nem havia me dado ao trabalho de ouvi-lo até então. Conclusão: muito chato. Tanto o filme quanto sua trilha sonora. O conjunto de músicas está muito longe de poder ser chamado de “obra-prima”, embora essa expressão costume com frequência andar colada ao nome “Tommy”. Outra coisa que me dá bronca é o culto à onda “mod”, que o Who seguia. O que tem de contestador ou de atitude Rock valorizar as roupas elegantes e caras, que era uma das características dos tais “mods”? Nada mais do que jovens da classe operária que, na primeira vez que puderam ter algum dinheiro em mãos, passaram a se vestir como os da classe alta. Uma distorcida na ideologia e tanto. Mais ou menos como muitos políticos brasileiros que se denominam de esquerda fazem. Há alguns anos, eu tentei exercitar o conceito Rockeiro do não-preconceito e quis conhecer mais de The Who. Até comprei um DVD com antigos clipes da banda. Não gostei de nenhuma música. O baixista John Entewistle é muito bom. O melhor dos quatro, disparado. Roger Daltrey é um ótimo vocalista, embora tenha um timbre um pouco comum. Keith Moon é um bom baterista, longe de ser tão brilhante quando sua fama faz pensar. Pete Townsend é um raro caso de guitarrista de Rock consagrado e que não é um grande solista. Vendo o vídeo, chama à atenção a postura arrogante da banda ao tocar. Na música “Magic Bus”, por exemplo, o jeito com que o Townsend canta o refrão (“Too much, the Magic Bus”) seus trejeitos e a expressão no seu rosto dão a impressão que ele está convocando o povo a uma revolução. Uma olhada na letra, no entanto, mostra frases como “every day I get in the queue/ to get on the bus that takes me to you/ I'm so nervous, I just sit and smile/your house is only another mile”. Ou seja, apenas a descrição de um garoto que espera o ônibus que vai leva-lo à casa da namorada. O tal “ônibus mágico” é tão Rock’n’Roll quanto o nosso “balão mágico”. Gosto da “The real me” e mais algumas músicas, o que torna o Who para mim uma boa banda. Que tal coloca-la nessa condição? Uma boa banda, longe dos adjetivos “genial”, “mestre”, “fundamental” e por aí vai.

David Bowie – um dos mais endeusados nomes do Pop/Rock. Milhões de discos vendidos. Shows concorridíssimos. Uma exposição em São Paulo, mostrando suas roupas e adereços, provocou filas ao redor do museu. Eu não o suporto. Não gosto de praticamente nada de seu trabalho. Na verdade, minha implicância básica faz com que eu não goste mesmo de nada, nem que lá no meio da obra tenha alguma coisa mais legal. O motivo? O excesso de bajulação em cima de um cara cuja maior qualidade foi ser ágil em seguir tendências. Sim, seguir, pois Bowie pulou de modismo para modismo, sempre na rabeira de inciativas de outrem – ou simplesmente de uma tendência que se formava naturalmente. Ele não inventou o Glam-Rock, quando teve sua primeira fase de sucesso. Depois investiu na Soul Music, coisa que vários artistas do Rock já haviam feito muito antes. De lá foi para a música eletrônica, novamente sem ser pioneiro e assim por diante. O grande truque de Bowie deve ter sido investir pesadamente em bajular a mídia, que sempre supervalorizou seu trabalho e atribuiu a ele uma aura de sofisticação que vendia muito mais uma imagem do que talento artístico na mesma proporção. Para mim, Bowie é um bom e competente artista, que merece respeito, mas está muito longe de ser esse ídolo intocável que acabou virando. Só para constar, não tenho nenhum disco do Bowie e só me lembro de ter ouvido dois discos mais de uma vez (espontaneamente): o “Pin Ups”, que só contém covers e o “Diamond Dogs”, que, se bem me lembro (ouvi o disco quando saiu), tinha uma tentativa de fazer algo na linha do Hard-Rock, o que é possível, pois era a tendência em alta na época e o cara não deixa de tirar um naco de onda nenhuma. Nossa mídia, seguindo fortemente no piloto automático, cem por cento das vezes que cita o Bowie atrela o inevitável epíteto “camaleão” ao seu nome.

(*) mais sobre esse assunto de importância macroeconômica nas obras “Discografia Comentada do Deep Purple” e “Como trabalhar de graça, perder dinheiro e ainda se divertir - a história da Sociedade Brasileira dos Apreciadores do Deep Purple”, ambas disponíveis no site http://www.4shared.com/folder/7ER-cWo1/Textos_dO_Eremita.html

 



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