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Rock Brado
 


Letras líricas do Rock - IV

 

Ao Chico Buarque é atribuído um dos maiores feitos halterofilísticos da criação de letras de música: conseguir encaixar a palavra “paralelepípedo” no meio de um verso. Sem querer comparar os dois como compositores, o inglês Graham Bonnet tem um exemplo que pode ser considerado no mesmo nível, ou até maior, que foi o de citar uma fórmula química na letra de uma música. A obra em questão é “Hiroshima Mon Amour”, faixa do álbum “No Parole from Rock’n’Roll”, lançado em 1983 pela banda Alcatrazz, que foi formada nesse mesmo ano por Bonnet, após sua passagem pelo Rainbow e pelo Michael Schenker Group.

O título da música repete o de um filme famoso, do cineasta francês Alain Resnais, de 1959, ao qual eu não assisti e nem pretendo, pois nele estão reunidas duas coisas que eu evito compulsivamente: filmes românicos e filmes franceses. 

Voltando à música, o tema é a bomba nuclear que devastou Hiroshima na Segunda Guerra. Bonnet é bom letrista, fugindo um pouco do padrão dos seus colegas do meio do Rock. Composições enfocando a guerra existem aos montes no Rock e, provavelmente, esta não é a letra mais brilhante entre elas. Para ser incluída nesta série, há um processo longo e apurado, em que são exigidas várias aprovações pelo conselho editorial do blog, formado por uma congregação de eremitas notáveis, que, por motivos óbvios, nunca se reúnem. A inclusão da letra de “Hiroshima Mon Amour” nesta restritíssima seção deve-se à inusitada presença da fórmula molecular do explosivo trinitrotolueno, conhecido pela sigla “TNT”. Bonnet cita “C7, H5, O6, N3” na primeira estrofe, o que nada mais é do que a fórmula desse explosivo, que fez o papel de gatilho  para iniciar a reação nuclear da bomba. Uma demonstração de grande criatividade desse cantor-letrista-e-sósia-do James-Dean.

“Hiroshima” não tem só letra boa, não. A música como um todo é um Hard-Rock de primeira. Seu riff lembra levemente o de “You really got me”. Ela não é a única atração do disco. Há um conjunto de faixas de grande qualidade. Hard-Rock puro-sangue, como “Jet to jet”, “Too drunk to live, too young to die” e “Starcarr Lane”. Tem, também, uma belíssima balada, “Suffer me”, na qual Bonnet arrasa, mostrando uma espantosa extensão vocal e, ainda, um Pop muito bem feito, “Island in the sun”, que abre o álbum. Há também o guitarrista, que começava a carreira e chamava a atenção pela sua rapidez e habilidade: o Yngwie. Acho melhor dar o nome completo, para que ninguém confunda com algum outro Yngwie: é o Yngwie Malmsteen. Para mim, este álbum traz o melhor desempenho de Yngwie. É provável que nos discos seguintes seu virtuosismo tenha sido mais explorado, mas no “No Parole” ele ainda dá espaço para frases mais melódicas e entremeia sua metralhadora de notas com momentos onde toca de forma mais harmoniosa em relação ao clima da música. Seu arrepiante solo em “Suffer me” é um bom exemplo disso.

Abaixo estão a letra original e a tradução d’O Eremita. Das três outras músicas abordadas nesta série eu tinha a letra original e fiz a tradução a partir dela. No caso da “Hiroshima”, sua letra era a única do disco que era reproduzida no encarte do LP. Eu vendi o vinil e comprei a versão em CD e nunca tinha reparado que ela não vinha com a letra no encarte (pronto, os fãs do vinil já podem tirar uma onda com a minha preferência por CDs). Tive então que recorrer à Internet e vi lá no meio das opções dadas pelo Google a letra já traduzida. “Ôpa, trabalho poupado”, pensei. Entrei no site e baixei a letra com sua tradução. Quando vi que “desert” havia sido traduzido como “sobremesa”, achei melhor fazer a versão na raça, usando meus minguados conhecimentos de inglês. O resultado é esse que segue.

 

Hiroshima Mon Amour

(Bonnet/Malmsteen)

 

It was newborn and ten feet tall/But they called it “little boy”/And C7, H5, O6, N3

They called him TNT/The fireball would dim the sun/Promising death in its cruelest form

 

Hiroshima Mon Amour/As we beg to be forgiven/Do you spit in our face and curse us all

 

The fireball that shamed the sun/Burning the shadows on the ground/As the rain falls to dry the land/Leaving desert for the thirsty man

 

They all said it would end the war/And we thanked Christ for the bomb/And the priests and witches all agreed/They should die to keep them free

 

Tradução

(como se este título fosse necessário: está em português, então é a tradução!)

 

Era um recém-nascido com três metros de altura/Mas era conhecido como “menininho”/E C7, H5, O6, N3/Eles o chamavam de TNT/A bola de fogo ofuscaria o sol/Assegurando a morte na sua forma mais cruel

 

Hiroshima Mon Amour/Enquanto suplicamos para sermos perdoados/Você cospe em nosso rosto e nos amaldiçoa a todos

 

A bola de fogo que envergonhou o sol/Gravando a fogo as sombras no solo/Enquanto a chuva cai para secar a terra/Deixa para o homem sedento o deserto

 

Todos diziam que ela acabaria com a guerra/E que agradeceríamos a Deus pela bomba/E todos os padres e feiticeiras concordariam/Que para mantê-los livres o inimigo deveria morrer 

 



Escrito por cucci às 21h18
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